A lobista Roberta Luchsinger se ofereceu para ajudar a aumentar os repasses federais destinados à saúde de Goiânia. Seis meses depois, o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, enviou a ela uma portaria que ampliou em R$ 77 milhões o teto de recursos para a prefeitura.
Mensagens obtidas pelo porta Metrópoles mostram que Barbosa encaminhou o documento depois de um encontro com Roberta, em 30 de abril de 2024. A então ministra da Saúde, Nísia Trindade, havia assinado a portaria 17 minutos antes do envio feito pelo secretário.
Na época, Rogério Cruz comandava a Prefeitura de Goiânia. Atualmente, o cargo é ocupado por Sandro Mabel.
Em outubro de 2023, Roberta conversou com Quesede Ayres Henrique, então secretário-executivo da Secretaria de Saúde de Goiânia. Ele buscava ampliar os recursos federais destinados ao município.
No dia 18 daquele mês, a lobista pediu informações sobre os limites de repasse para Média e Alta Complexidade (MAC) e para o Piso de Atenção Primária (PAP). Quesede informou que Goiânia tinha R$ 175 milhões disponíveis para receber na modalidade MAC e outros R$ 104 milhões no PAP.
Roberta respondeu que verificaria a situação. Em dezembro, ela também pediu a Barbosa uma reunião com Wilson Pollara, então secretário municipal de Saúde. Não há informação sobre a realização do encontro.
Em abril de 2024, Roberta avisou Barbosa que estava a caminho de Brasília e que queria encontrá-lo. Horas depois do encontro, às 19h51, ele enviou a portaria que elevava o teto MAC de Goiânia em R$ 77 milhões. Nísia havia assinado o documento às 19h34.
O Ministério da Saúde afirma que o aumento dos tetos MAC ocorreu de forma geral e seguiu critérios técnicos e legais. Segundo a pasta, Goiânia recebeu os recursos para reforçar o atendimento de uma maternidade municipal que corria risco de fechar.
A defesa de Barbosa também afirma que as transferências seguiram os mesmos procedimentos aplicados aos demais Estados e municípios. O ex-secretário considera preocupante o uso de mensagens isoladas para sustentar interpretações sobre sua atuação.








