O deputado federal Danilo Forte anunciou a saída do União Brasil na tarde desta quinta-feira, 5, primeiro dia da janela partidária. O parlamentar, que ainda não tem partido definido, assinou o desligamento durante coletiva de imprensa realizada na Câmara dos Deputados. Ele detalhou que a saída foi motivada por um “jogo de enrolação” relacionado à indefinição da candidatura ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Em declaração aos jornalistas, o deputado federal falou sobre execução orçamentária, transparência e valorização do parlamento. Forte também mencionou os períodos em que atuou como relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias, em 2014 e em 2024. O deputado federal também destacou a importância de ocupar espaço no Tribunal de Contas da União e se lançou como candidato à vaga, aberta com a aposentadoria do ex-ministro Aroldo Cedraz.

No entanto, Danilo Forte indicou que houve uma “postergação” por parte da sigla para definir o candidato e mencionou também a falta de cumprimento de um acordo com o deputado federal e ex-colega de partido Elmar Nascimento (União-BA).

“Diante dessa situação, foi recolocado um novo posicionamento, que teríamos um cronograma na bancada, em que no dia 10, o próprio deputado Elmar, que estava concorrendo comigo dentro da bancada, propôs um acordo e ele disse que traria publicamente o apoio de partidos do campo da oposição para a sua candidatura e propôs o seguinte: se ele trouxesse esse apoio, eu retirava a minha candidatura para apoiá-lo. Se ele não trouxesse, ele retiraria a candidatura dele para apoiar a minha candidatura. Ele não trouxe os apoios, o apoio também dele à minha candidatura não veio”, explicou.

“E o que a gente percebeu na presidência partidária foi exatamente um jogo de postergação. Primeiro, era final do ano passado, depois era agora no início de fevereiro, depois era no dia 24, depois era hoje, que era a data da indicação, e a indicação não veio”.

O parlamentar ainda afirmou que a situação causou um “constrangimento”, pois teria conversado com “uns 400 deputados” e que saberia da “aceitação” da sua candidatura.

“O que aconteceu é que nesse jogo de postergação, e quem me conhece sabe do meu perfil, eu não faço lambança. Eu não sou do jogo da enrolação. Eu sou do jogo da proposição, da ação concreta e do compromisso com a responsabilidade. Se o partido fez um cronograma, se eu tive a paciência de esperar a execução orçamentária, se por diversas vezes tive várias reuniões com o líder do partido e o partido mesmo assim não conseguiu ter uma definição clara, não cabe a mim de novo continuar nesse jogo de enrolação. Eu não sou desse perfil”, disse o parlamentar.

Ao assinar o pedido de desfiliação da legenda, Forte ainda afirmou que não pode “comungar desse jogo que é maléfico para a sociedade brasileira e principalmente para valorização e fortalecimento da Câmara dos Deputados”.

Apesar de ainda não ter definido para onde seguirá, o deputado disse que já tinha sido convidado para alguns partidos, sem citar quais.

Vaga no TCU

Além de Forte, entre os interessados na posição do TCU estão os deputados federais Elmar Nascimento e Hugo Leal (PSD-RJ). Recentemente, o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) também formalizou a candidatura ao cargo. O PT deverá indicar o deputado federal Odair Cunha (PT-MG).

Em entrevista ao Metrópoles em fevereiro, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou o acordo feito com o PT para indicar o nome de Cunha à vaga em troca do apoio do partido quando ainda estava em campanha para a presidência da Casa Legislativa.

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