Os professores da rede pública estadual do Ceará têm a quarta pior média de salário inicial do Brasil. Os dados são referentes a 2025 e foram divulgados em estudo do Movimento Profissão Docente na semana passada. Segundo o levantamento, o professor no Estado recebe, em média, R$ 4.961,73 no início da carreira, superando apenas Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Na outra ponta do ranking, Mato Grosso do Sul aparece com o maior salário inicial, superior a R$ 13 mil. O valor é quase três vezes maior que o pago no Ceará. Na prática, o salário inicial cearense supera o piso nacional da categoria em apenas cerca de R$ 100, evidenciando o baixo nível de valorização da carreira docente no Estado.
Pesquisas internacionais indicam que um bom salário inicial, aliado ao crescimento da remuneração ao longo dos primeiros 15 anos, é decisivo para atrair e reter talentos na profissão. No Ceará, porém, a realidade tem seguido caminho oposto. Sob a gestão do governador Elmano de Freitas (PT), com apoio do ministro da Educação Camilo Santana (PT), os resultados educacionais têm sido alvo de críticas crescentes nos últimos anos.
“Os nossos indicadores estão piorando. A gente é o 14º estado no resultado do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e também tem indicadores de aprendizado do ensino médio em queda”, afirmou o ex-prefeito Roberto Cláudio. Para ele, o cenário reflete um “ciclo de retrocesso”, impulsionado por práticas de clientelismo e pela indicação de “amigos” para cargos de gestão na área educacional.
Em 2026, o Ceará e outras 54 prefeituras, incluindo Fortaleza, perderam R$ 220 milhões em verba extra do Governo Federal por não se adequarem aos critérios exigidos para o repasse. Para receber os recursos, era necessário cumprir requisitos como a redução das desigualdades educacionais, especialmente entre estudantes de baixa renda, negros e indígenas, além da adoção de critérios técnicos de mérito e desempenho na escolha de diretores escolares.
“Gestores sendo escolhidos por aliança política, e não por mérito e valor pessoal”, criticou. “Isso é o clientelismo e a politicagem cobrando seu preço.”
Na sequência, o deputado Pedro Matos também se manifestou e destacou a importância da valorização dos professores. “Estamos falando de profissionais que têm a missão de formar as futuras gerações. Não é justo que muitos professores iniciem a carreira recebendo um salário tão baixo”, lamentou.







