A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, criticou a BBC durante coletiva por sua cobertura de um incidente ocorrido em Rafah, no sul da Faixa de Gaza. A BBC chegou a publicar títulos como “Tanque israelense mata 26”, “Tiroteio israelense mata 31” e “Cruz Vermelha diz que 21 pessoas foram mortas em incidente de ajuda”. Leavitt afirmou que as manchetes foram modificadas após imagens desmentirem a versão inicial, e acusou a emissora de confiar cegamente em informações do Hamas.
O episódio envolveu a morte de civis palestinos durante a distribuição de ajuda humanitária. A BBC negou ter retirado qualquer conteúdo e afirmou que apenas atualizou os dados ao longo do dia, com base em fontes como médicos locais, o Ministério da Saúde de Gaza e a Cruz Vermelha.
Segundo a emissora, essa prática é padrão em coberturas de eventos em andamento.
A BBC também rebateu Leavitt, dizendo que ela confundiu a reportagem principal com um relatório separado do BBC Verify, que desmentia um vídeo viral não relacionado ao caso de Rafah.
O incidente ocorreu no domingo, 1º, quando milhares de civis se reuniram para receber alimentos após o relaxamento parcial do bloqueio israelense.
Testemunhas relataram disparos e pânico. A Cruz Vermelha confirmou 21 mortos, e o Hamas falou em 31.
O Exército de Israel negou responsabilidade e afirmou que tiros de advertência foram disparados contra suspeitos a cerca de um quilômetro do local.
A ONG Gaza Humanitarian Foundation, responsável pela distribuição, classificou os relatos de violência como “fabricações”.
A acusação de Leavitt reacendeu críticas à linha editorial da BBC.
Embora o foco da coletiva tenha sido o caso específico de Rafah, a emissora já havia sido alvo de denúncias semelhantes.
O Antagonista documentou episódios anteriores, como a distorção de um comunicado das Forças de Defesa de Israel sobre a operação no hospital Al-Shifa, em 2023, e um pedido de desculpas da BBC por veicular, sem verificação, acusações do Hamas sobre execuções de civis.
Além disso, investigações internas da emissora foram abertas em 2025 após revelações de que colaboradores da BBC Arabic exaltaram Hitler, comemoraram atentados e assediaram judeus nas redes sociais.
Em outro caso, uma funcionária sênior da BBC foi demitida por publicar mensagens chamando judeus de “parasitas” e negando o Holocausto.
A BBC afirma não tolerar antissemitismo e nega viés institucional. O governo britânico já cobrou explicações formais, e mais de 200 funcionários judeus da emissora denunciaram ambiente hostil a posições pró-Israel.
Com a crítica de Leavitt, a Casa Branca se junta a um coro crescente que exige maior rigor e imparcialidade da emissora estatal britânica, cuja influência global impõe responsabilidade redobrada diante de temas sensíveis como o conflito Israel-Hamas.







