A produção industrial do Ceará caiu 7,8% em agosto de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional, divulgada nesta quinta-feira (8) pelo IBGE. O resultado é o terceiro pior entre os 18 locais pesquisados, atrás apenas de Pará (-19,8%) e Maranhão (-11,2%). Também é bem mais intenso que a média nacional, de -1,2%, e que a da Região Nordeste, de -2,7%. Agosto deste ano teve o mesmo número de dias úteis do ano anterior (21), o que afasta efeito calendário na comparação.

O principal responsável pela retração foi o setor de couro e calçados, que respondeu sozinho por -5,66 pontos percentuais da taxa. A atividade recuou 21,6%, pressionada pela menor fabricação de calçados esportivos de couro e de calçados de plástico moldado masculinos e infantis. Também pesaram negativamente o setor têxtil (-1,85 p.p.), com queda de 26,9% na produção, sobretudo de tecidos de algodão; o vestuário (-0,88 p.p.); e a metalurgia (-0,83 p.p.).

Destaque

No sentido oposto, os produtos químicos deram a maior contribuição positiva (+1,02 p.p.), com alta de 19,6% impulsionada por inseticidas para uso agrícola e tintas e vernizes. Máquinas, aparelhos e materiais elétricos (+0,32 p.p.) e alimentos (+0,29 p.p.) também avançaram, mas não foram suficientes para compensar as perdas. Na série com ajuste sazonal, a indústria cearense recuou 3,6% frente a julho, a quarta maior queda do país e o terceiro resultado negativo consecutivo.

Desde maio, a perda acumulada chega a cerca de 8,3%. A média móvel trimestral caiu aproximadamente 2,8%, o segundo pior desempenho nacional, atrás apenas do estado do Pará. Os indicadores de prazo mais longo confirmam a tendência. No acumulado de janeiro a agosto, a produção do Ceará encolheu 3,8%, enquanto o Brasil cresceu 0,8%.

No período, as maiores perdas vieram novamente de couro e calçados (-1,76 p.p.), vestuário (-1,14 p.p.) e têxtil (-1,13 p.p.). Refino e biocombustíveis (+0,85 p.p.) e produtos de metal (+0,62 p.p.) compensaram parte dessas perdas. Em 12 meses, a retração passou de 2,1% em julho para 2,4% em agosto. No cenário nacional, a produção industrial recuou 0,6% frente a julho, com dez dos 15 locais pesquisados no vermelho. Na comparação com agosto de 2025, a queda foi de 1,2%, com 12 dos 18 locais registrando redução.

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