A reforma tributária pode reduzir a demanda por voos no Brasil e deixar mais caras as passagens aéreas. Segundo estudo da Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (Alta), divulgado no início de setembro, a aplicação da alíquota-padrão estimada para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) poderia reduzir em 21,1% a demanda por voos domésticos e em 17,8% a demanda por viagens internacionais, em relação ao cenário de manutenção do marco tributário atual.
Somados, os recuos equivaleriam a cerca de 25 milhões de viagens a menos por ano — 20 milhões domésticas e cinco milhões internacionais.
O motivo para a redução é o aumento da carga tributária. A entidade aponta que atualmente os impostos respondem por 13,5% dos preços das passagens aéreas nacionais. Nas internacionais, 16,5%. A reforma tributária prevê a aplicação da alíquota padrão, estimada inicialmente em 26,5%.
Estimativas do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) indicam que o percentual pode chegar a 27,91%, o que a tornaria a maior do mundo.
Com o repasse integral do custo, o estudo projeta um encarecimento médio de 16,1% no preço final das passagens domésticas. Nas internacionais, o custo final dos bilhetes internacionais ao passageiro subiria 13,25%.
O impacto ameaça diminuir a conectividade de um país de dimensões continentais, cujo setor aéreo ainda busca consolidar a recuperação financeira. “Manter a aviação acessível e competitiva é essencial para o pleno crescimento do Brasil no longo prazo”, destaca o estudo da entidade.
Aéreas acumulam R$ 55 bilhões em prejuízo
A reforma tributária chega em um momento complexo para a aviação comercial. Segundo a Alta, as empresas aéreas nacionais acumularam um prejuízo líquido de R$ 55 bilhões entre 2015 e o terceiro trimestre de 2025. As três maiores empresas aéreas brasileiras passaram por processos de recuperação judicial nos Estados Unidos, mas os desafios continuam.
O combustível de aviação representa historicamente cerca de 30% das despesas operacionais das companhias da região. Na semana encerrada em 31 de julho, o preço médio do galão alcançou US$ 3,92, isto é, 77,3% superior à média de 2025.
O mercado já recua. Em junho deste ano, o tráfego de passageiros na América Latina e no Caribe caiu 2,3% ante junho de 2025. É a primeira contração interanual da região desde 2021. No Brasil, o recuo no mesmo mês foi de 0,9%, com 10,29 milhões de viajantes. A queda interrompeu mais de 20 meses consecutivos de expansão.
A redução no volume de passageiros pode forçar as empresas a cortar capacidade. O encarecimento das tarifas pressionará a taxa de ocupação das aeronaves, obrigando as aéreas a reduzir a frequência de voos, suspender rotas de menor densidade e desacelerar qualquer plano de expansão da malha regional.






