Após relatos de abandono, falta de segurança e dificuldades nos resgates em La Guaira, o regime da Venezuela decidiu suspender por 48 horas o traslado de jornalistas em ônibus para a região mais devastada pelos terremotos que atingiram o país na última quarta-feira (24).

A medida foi informada nesta segunda-feira (29) à agência EFE por uma fonte próxima ao Ministério da Comunicação da Venezuela. Segundo essa fonte, a suspensão ocorreu por “recomendação sanitária” e porque as próximas 48 horas “seriam decisivas” para o resgate de pessoas que ainda podem estar vivas sob os escombros.

O regime venezuelano havia começado no sábado (27) a organizar um sistema controlado de transporte para jornalistas e repórteres audiovisuais, com 90 vagas diárias em ônibus destinados à cobertura nas áreas de desastre em La Guaira.

A mesma fonte disse à EFE que os jornalistas podem tentar chegar à região por meios próprios, mas admitiu que talvez não consigam passar pelos bloqueios. Segundo ela, “muitos” profissionais de imprensa ainda conseguiram acessar a área.

A decisão ocorre depois de relatos de moradores e jornalistas sobre o caos na região atingida. Um vídeo publicado pela emissora alemã DW mostrou moradores de La Guaira cobrando militares da Força Armada Nacional Bolivariana por não ajudarem nas operações de busca e resgate na região. Nas imagens, um morador aparece confrontando soldados parados e dizendo que eles deveriam estar com pás e picaretas, não com armas.

Segundo a agência France-Presse, os militares que aparecem no vídeo passaram a ajudar na retirada de escombros após a reação dos moradores. A população local tem reclamado da demora da ajuda oficial e afirma que boa parte dos resgates vem sendo feita por voluntários e equipes internacionais. A situação em La Guaira também tem sido agravada por roubos em comércios.

A suspensão do traslado da imprensa foi criticada pelo Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa da Venezuela. Em publicação no X, a entidade afirmou que impedir a cobertura em campo “não resolve a emergência” e disse que o país precisa de informação verificada e oportuna, especialmente para as famílias das vítimas.

Os dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, já deixaram 1.719 mortos e mais de 5.000 feridos. Este é o terremoto mais letal registrado na Venezuela em um século.

 

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