Cerca de 63,9 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica. O número representa 37,3% da população nessa faixa etária, segundo levantamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva. Desse total, 44,7 milhões não terminaram o ensino fundamental e 19,3 milhões deixaram a escola antes de concluir o ensino médio.
Apesar da demanda, a Educação de Jovens e Adultos (EJA), voltada a quem não completou os estudos na idade esperada, atende apenas 1,5% desse público. Os dados fazem parte de um relatório elaborado por fundações e instituições de pesquisa, com informações de diferentes levantamentos nacionais.
Apesar da demanda, a Educação de Jovens e Adultos (EJA), voltada a quem não completou os estudos na idade esperada, atende apenas 1,5% desse público. Os dados fazem parte de um relatório elaborado por fundações e instituições de pesquisa, com informações de diferentes levantamentos nacionais.
A diferença também aparece no mercado de trabalho. Entre as pessoas ocupadas sem ensino fundamental completo, 38,4% têm emprego formal. Já entre aquelas que concluíram o ensino médio, o percentual chega a 65%. O estudo aponta ainda que a taxa de pobreza é 1,8 vez maior entre quem não completou a educação básica.
O perfil das pessoas que não concluíram os estudos varia conforme a idade e o nível de escolaridade. Entre os homens que não terminaram os primeiros anos do ensino fundamental, 48,4% têm 60 anos ou mais. Entre as mulheres na mesma situação, a proporção é de 61,2%.
Já entre aqueles que não concluíram o ensino médio, há maior concentração de pessoas com idades entre 30 e 49 anos. O levantamento também identificou diferenças entre homens e mulheres nos motivos que levaram ao abandono escolar e nas dificuldades para retomar os estudos.
Entre os homens de 15 a 29 anos, 53,9% apontaram o trabalho como motivo para deixar a escola. Além disso, 61,7% citaram a atividade profissional como obstáculo para voltar a estudar. Os dados indicam que conciliar a jornada de trabalho com a educação é um dos desafios para esse público.
Entre as mulheres da mesma faixa etária, as responsabilidades familiares foram citadas por 34,9% como dificuldade para retornar à escola. A gravidez apareceu como motivo para abandonar os estudos para 22,9% delas. Os resultados reforçam a necessidade de políticas educacionais que considerem as diferentes realidades dos estudantes.
O relatório População de 15+ fora da escola, demanda potencial por EJA e transições para o trabalho: diagnóstico e evidências para políticas públicas foi elaborado pelas fundações Roberto Marinho, Bradesco, Itaú e Arymax, com cooperação da Unesco e parceria técnica do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp-Uerj).
A análise reúne dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Censo Escolar de 2024 e do Censo Demográfico de 2022.









