A Justiça do Distrito Federal determinou a libertação dos três ex-sócios da fintech Naskar Gestão Ltda. Eles são suspeitos de desaparecer com R$ 900 milhões de mais de 3 mil investidores. Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato estavam detidos preventivamente em São Paulo desde agosto, após investigações da polícia.
O alvará de soltura ocorreu após o juiz considerar encerrada a fase formal da apuração policial. O magistrado destacou que aparelhos eletrônicos e documentos fiscais foram apreendidos pelas autoridades, garantindo a guarda do material probatório sob controle do Estado.
— As medidas de busca e apreensão foram cumpridas, tendo sido arrecadados celulares, notebooks, documentos e outros elementos, os quais se encontram sob a custódia do Estado — afirmou o magistrado responsável no despacho oficial.
A decisão judicial apontou ausência de tentativas de fuga, de coação de testemunhas ou de interferência nas apurações pelo trio. A suspensão total das operações da empresa e os bloqueios de bens patrimoniais continuam válidos por determinação legal.
Para responder em liberdade, o grupo deverá cumprir oito exigências cautelares. As obrigações incluem recolhimento domiciliar noturno, retenção de passaportes, proibição de saída da comarca e veto absoluto de contato com vítimas ou testemunhas vinculadas ao processo.
Dias antes da soltura, a defesa teve recurso negado no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O relator rejeitou o pedido liminar alegando incompetência da corte para avaliar a matéria antes da manifestação colegiada do tribunal de origem, mantendo a prisão temporária.
— Evidencia-se a incompetência do Superior Tribunal de Justiça para o processamento e julgamento do feito, dada a inexistência de ato coator proferido por Tribunal sujeito à jurisdição desta Corte — declarou o ministro relator na decisão do tribunal.
Com atuação iniciada há 13 anos, a instituição financeira prometia rendimentos mensais de 2% aos investidores. Os repasses foram suspensos em maio de 2026, gerando o bloqueio das comunicações e a posterior atuação das autoridades policiais para apurar as irregularidades.







