Os cinco homens acusados pelo duplo homicídio que vitimou as jovens Gabriela Sousa da Silva e Krislla Maria Freire Jorge, ambas com 18 anos na época dos fatos, foram soltos na terça-feira (26). Após mais de um ano presos, a Justiça do Ceará decidiu pela impronúncia dos réus, que não serão mais julgados pelo Tribunal do Júri. Quatro dias depois, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) publicou uma manifestação com posicionamentos finais, solicitando que as prisões de três dos réus fossem reestabelecidas.

A decisão foi explicada pelo conceito de “insuficiência investigativa”, visto que “inexistem testemunhas oculares” que possam confirmar o envolvimento dos acusados no crime.

Ainda segundo o documento da decisão, “inexistem elementos probatórios autônomos e mínimos aptos a demonstrar os requisitos legais dos tipos penais em referência”.
Os acusados foram presos poucos dias após o crime, em datas distintas.

Dentre os investigados que foram soltos estão:

  • Kairo Gabriel Rodrigues Dias, conhecido como “KG”;
  • Alison Souza do Nascimento (ex-namorado de uma das vítimas);
  • Francisco Breno Carvalho Lima, o “Fofão”;
  • Gerson dos Santos Marques, o “Jefinho”;
  • Gabriel Pereira de Sousa, o “Biel”.

Após as prisões dos suspeitos, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) deu início a uma longa investigação que se dividia entre duas hipóteses de motivação para o crime: ciúmes do ex-namorado de uma das vítimas ou intervenção de uma facção criminosa que domina a região do Jangurussu.

Carro foi alvejado na “Comunidade do Pesadelo”

Após poucos minutos de perseguição, o carro teria entrado na “Comunidade do Pesadelo”, em uma área sem câmeras de segurança.

Nesse momento, o Jeep Compass estava andando em alta velocidade e com os vidros fechados quando foi alvejado com tiros que vinham de diferentes direções.

Gabriela Sousa, que conduzia o veículo, foi atingida por um projétil que atravessou o pulmão esquerdo e o coração, causando uma hemorragia torácica.

Krislla Maria foi atingida por um disparo na cabeça, que causou um traumatismo crânio-encefálico. As jovens foram levadas com urgência ao Instituto Doutor José Frota (IJF).

Uma das enfermeiras informou aos policiais que “Krislla já deu entrada na unidade em óbito, porém Gabriela ainda estava com vida, falecendo em seguida”.

O jovem Ícaro César Souza, que também estava no veículo, não foi atingido. Em depoimento, ele contou que Gabriela parou o carro depois de ser atingida, momento em que ele desceu do veículo e correu para casa.

O jovem disse que viu as motos que perseguiam o carro, mas que não tinha certeza se os tiros tinham vindo da mesma direção. Os acusados confessaram a perseguição, mas negaram os disparos.

Segundo um deles, os tiros teriam vindo de dentro da comunidade, pois o carro estaria passando em alta velocidade e com vidros fechados em uma área onde isso é “proibido” pelas facções.

Em interrogatório, o investigado Kairo Gabriel Rodrigues afirmou que o autor dos tiros teria sido “MT”, um dos líderes da facção Comando Vermelho (CV) na comunidade.

“MT” foi identificado como Matheus Silva Batista, assassinado um dia depois do duplo homicídio.

A morte do homem e a predominância do CV no local formavam o cenário perfeito para uma morte vinculada à ação de organização criminosa.

Fonte: DN
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