O uso de drones por parte de pilotos aliados às facções criminosas passou a ser uma técnica quase que semanalmente presenciada pelos policiais penais que monitoram os presídios na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Um dos presos em flagrante nas últimas semanas confessou à Polícia ter adquirido um drone no valor de R$ 15 mil e receber por cada ‘pacote’ colocado dentro de uma unidade prisional o valor de R$ 5 mil.

A reportagem do Diário do Nordeste teve acesso a documentos com detalhes de como o esquema funciona. Outro membro da quadrilha recentemente desarticulada também se preparava para assumir a função de piloto e aumentar a entrada de ilícitos nas unidades.

Francisco David da Silva Sousa, Antônio Cristiano Félix Abreu e Antônio Wellington Sabino Ferreira foram presos em flagrante e tiveram as prisões preventivas decretadas em audiência de custódia. Todos eles foram indiciados por supostamente compor a facção carioca Comando Vermelho (CV).

POLICIAIS MONITORAVAM CARRO

Na noite do dia 20 de janeiro, um veículo da marca Volkswagen, modelo Polo Track, cor branca, cruzou novamente a área monitorada pela Inteligência da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), nas imediações do Complexo Penitenciário Itaitinga II.

O trio estava prestes a ‘rebolar’ para dentro da Unidade Prisional UP-Itaitinga II, especificamente na Ala D, uma encomenda feita pelo CV, com relógios, celulares e drogas.

Policiais penais da coordenadoria de inteligência da SAP e do Grupo de Ações Penitenciárias (GAP) interceptaram a ação criminosa e levaram os materiais e os suspeitos à sede da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil do Ceará (PCCE), em Fortaleza.

Francisco David teria declarado ‘espontaneamente’ que exercia a função de piloto do drone e “que realizava há meses tal prática, recebendo R$ 5 mil por empreitada, que o drone seria de sua propriedade (modelo DJI Air 3S) e que o veículo ora abordado já teria sido utilizado em outras oportunidades”.

David teria negado ser membro do CV, mas assumiu ser ‘simpatizante’ da facção.

Antônio Wellington se denominou como motorista de APP, que recebia R$ 300 para participar da ação no entorno dos presídios e que fez recentemente um curso de piloto de drone e que “tinha intenção de fazer essas correrias para ganhar mais dinheiro”.

Fonte: DN

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