A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário do Ceará (CGD) abriu na última segunda-feira, 29, um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra dois delegados de Polícia Civil do Estado.
A coluna questionou a CGD se o procedimento possuiria relação direta com falha de custódia de uma plantação com 290 mil pés de maconha apreendida pelo órgão no último fim de semana. Até o presente momento, no entanto, não houve retorno do órgão.
Os procedimentos, no entanto, têm como alvo delegados com atuação nos municípios de Acopiara e Iguatu, que participaram da operação que localizou a plantação ilegal. Questionada, a CGD também não forneceu mais detalhes sobre as apurações.
O caso ganhou grande repercussão no último fim de semana, após o deputado André Fernandes (PL) ir ao local e denunciar “abandono” da plantação, que permaneceu sem custódia policial. Em imagens divulgadas pelo parlamentar nas redes sociais, também é possível verificar que apenas parte da droga foi destruída ou apreendida.
Procurada pela coluna, a Associação dos Delegados de Polícia do Ceará (Adepol-CE) afirma que já peticionou a CGD pedindo para ter acesso aos procedimentos administrativos. Ela afirma que deverá se manifestar apenas após ter mais detalhes sobre o caso.
O presidente da entidade, Jaime Paulo Pessoa, esteve na terça-feira na Delegacia Municipal de Acopiara, para prestar solidariedade e apoio ao delegado titular da unidade. Em nota divulgada nas redes, a entidade destacou necessidade de uma apuração rigorosa e “pautada pela legalidade e transparência”.
“(Uma apuração) visando a busca da verdade e não somente à identificação de um culpado. É preciso que a falha institucional, admitida pela Delegacia-Geral da Polícia Civil, não seja particularizada, devendo haver o claro discernimento sobre a natureza sistêmica, e não individual, do problema”, destaca nota da entidade.
Na última segunda-feira, o governador Elmano de Freitas (PT) esteve no município e afirmou que o caso seria alvo de apuração “rigorosa”. Até o presente momento, o governo tem classificado o episódio como um erro de agentes na custódia do material ilegal.
Membros da oposição ao Governo do Estado, por sua vez, tem cobrado entrada da Polícia Federal nas investigações, e criticam possibilidade de que as punições fiquem restritas a agentes de segurança pública.







