Na última década, o registro de episódios de violência nas escolas teve um aumento expressivo no Ceará. Ao todo, 1.163 casos foram contabilizados de 2015 a 2025 no Estado, que vão desde ataques nas escolas, agressões entre alunos ou professores, lesões com objetos perfurocortantes, bullying e intimidação virtual. Ao longo desse período, o número de ocorrências cresceu mais de 4 vezes.

Em 2015 houve 38 casos e, só no ano passado, foram 176 registros de violência interpessoal em escolas no geral — que diz respeito ao uso intencional de força física ou do poder contra outra pessoa sob a forma de ameaça ou agressão. Os dados são do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, do Ministério da Saúde, levantados pelo Diário do Nordeste.

Na apuração, a reportagem considerou a faixa etária de 1 a 19 anos, que corresponde ao público que costuma frequentar as unidades educacionais, e excluiu ocorrências de lesão autoprovocada.

As categorias de violências registradas no levantamentos são as seguintes:

  • Violência física;
  • Violência sexual;
  • Agressão/Estupro;
  • Objeto contundente;
  • Objeto perfurocortante;
  • Arma de fogo;
  • Ameaça;
  • Violência interpessoal.

Vale destacar que os dados acima não diferenciam se as ocorrências foram registradas em escolas públicas ou privadas. Além disso, no período selecionado houve a pandemia da Covid-19, quando as instituições de ensino foram fechadas devido ao isolamento social. Isso interfere no número de registros durante os anos de 2020 e 2021, principalmente.

Esse cenário de aumento de violência acende o alerta entre pais, professores, gestores e a sociedade civil. No último dia 13 de maio, um aluno de 16 anos foi atacado por um colega com um objeto perfurocortante em uma escola estadual no município de Quixadá, no Interior do Ceará. Conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a agressão ocorreu durante uma briga motivada por bullying.

A vítima foi socorrida para um hospital da região, mas faleceu na terça-feira (19). Um aluno de 15 anos foi apreendido e autuado por participação em ato infracional análogo ao crime de tentativa de homicídio.

Para analisar a violência nas escolas, é preciso compreender que ela é um fenômeno multidimensional e multicausal, que ultrapassa a linha da sensação de insegurança e revela as raízes estruturais da sociedade brasileira.

“Temos sociabilidade fundada pela violência no caso do Brasil, desde a colonização até passando por períodos autoritários”, explica João Paulo Pereira Barros, professor do departamento de Psicologia da Universidade Federal do Ceará e coordenador do Grupo de Pesquisas e Intervenções sobre Violência, Exclusão Social e Subjetivação (VIESES).

Dessa forma, as instituições escolares não estão imunes a essas dinâmicas da vida social. “A escola não é uma ilha, como a gente sempre diz. Nela também deságuam muitos problemas da sociedade”, afirma Ingrid Rabelo, assistente social e assessora de juventudes do Programa Jovens Agentes de Paz do Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza (CDVHS).

Fonte: DN
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