Oito acusados de integrar um braço da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) no Ceará, liderado por familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, o ‘Marcola’, foram absolvidos pela Justiça Estadual. Entre eles está o tenente da Polícia Militar do Ceará (PMCE) Roberio Nunes de Sousa. Outros 14 alvos da Operação Primma Migratio ainda não foram julgados, em mais dois processos.
A Vara de Delitos de Organizações Criminosas absolveu Robério Nunes, José Cleber Almeida Sampaio, Cristian Souza Sampaio, Levy Sousa Paixão, Pedro Coelho da Silva Junior, Edijakson Fernandes de Araújo Júnior, Dayanne Vitoria de Freitas Silva e Francisco Erivaldo Carvalho Moreira dos crimes de integrar organização criminosa e praticar jogo do bicho e determinou a soltura dos réus presos, no último dia 21 de maio.
Na sentença, o colegiado de juízes considerou que os oito réus “prestavam serviços ou atuavam em benefício da Loteria Fort, cuja atuação comercial supostamente era em prol da facção criminosa PCC, contudo, tais circunstâncias não restaram cabalmente esclarecidas, devendo ser destacado que a Loteria Fort se tratava de uma empresa legalmente constituída e com autorização judicial para sua atuação em todo o Estado do Ceará”.
A mera atuação dos acusados junto à mencionada empresa, ainda que questionável, não constitui, por si só, elemento suficiente para configurar o envolvimento com organização criminosa, sobretudo da gravidade e complexidade que envolve o PCC. Assim, a prova apresentada revela-se frágil e insuficiente para sustentar, de forma segura, qualquer imputação nesse sentido.” Vara de Delitos de Organizações Criminosas Em sentença
Sobre a acusação de que o grupo promovia jogo do bicho, a Justiça entendeu que “não é possível sustentar uma condenação justa com base na afirmação genérica, sendo indispensável que o acusador apresente evidências claras para sustentar suas alegações, detalhando, no mínimo, como chegou à conclusão punitiva pretendida”.
Em nota, a defesa do PM Robério Nunes de Sousa, representada pelo advogado Nasareno Saraiva, “parabeniza a Justiça Estadual pelo reconhecimento da não participação do cliente em Organização Criminosa PCC, como ventilado pelo Ministério Público” e informa que irá “ingressar com uma ação de indenização por danos morais, em razão de ter ficado preso 1 ano e 1 mês, tendo sua honra e moral ferida pelas graves acusações”.
A defesa dos outros acusados não foi localizada pela reportagem, mas o espaço está aberto para futuras manifestações. A matéria será atualizada, se houver manifestação dos representantes dos outros réus absolvidos.
Liderança de familiares de ‘Marcola’
O grupo absolvido foi alvo da Operação Primma Migratio, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Ceará (Ficco/CE), no dia 24 de abril de 2024, para desarticular uma organização criminosa suspeita de realizar lavagem de dinheiro do PCC com o jogo do bicho, no Ceará. A quadrilha teria movimentado pelo menos R$ 300 milhões com a prática criminosa.
22 suspeitos foram presos e, depois, denunciados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE). Devido ao alto número de réus, a Justiça Estadual desmembrou a ação penal em três processos. Os outros dois processos ainda não foram julgados.
Como funcionava o esquema criminoso
Segundo as investigações da Ficco, a organização criminosa voltada para realizar lavagem de dinheiro do PCC no Ceará era liderada por Francisca Alves da Silva, que é cearense e é esposa de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, o ‘Marcolinha’, e cunhada de ‘Marcola’. ‘Pretinha’, como ela é conhecida, foi presa em um condomínio de luxo no Arujá, em São Paulo.
Para comandar o jogo do bicho e a lavagem de dinheiro da facção no Ceará, ‘Pretinha’ dividia as decisões do esquema criminoso com dois homens, que também viraram réus na Justiça. O cearense Geomá Pereira de Almeida ficou conhecido dentro do PCC como um especialista na estrutura dos jogos de azar, que voltou de São Paulo para o Ceará para liderar o jogo do bicho da facção.
Enquanto Menesclau de Araújo Souza Júnior era responsável por coordenar a estrutura de lavagem de dinheiro da quadrilha, com a compra de bens luxuosos e com o uso de uma loteria em Fortaleza, segundo as investigações.
Fonte: DN






