O Irã executou nesta quarta-feira (30) dois homens detidos durante os protestos antigovernamentais do último mês de janeiro, acusados de estarem envolvidos na morte de quatro membros das forças de segurança na cidade de Mashhad, no nordeste do país, elevando o número de manifestantes executados para pelo menos 31.

– Ali Hemmati e Majid Nikandish, dois dos envolvidos nos distúrbios de janeiro que provocaram a morte de quatro membros das forças encarregadas da segurança em Mashhad, foram enforcados nesta madrugada – anunciou a agência de notícias Mizan, vinculada ao Poder Judiciário iraniano.

O veículo de imprensa indicou que as execuções foram levadas a cabo depois de as condenações dos acusados terem sido confirmadas pelo Supremo Tribunal e “após a conclusão dos procedimentos legais”.

As autoridades iranianas identificaram ambos como “ativistas e líderes” dos distúrbios ocorridos em 8 de janeiro na região de Tabarsi, em Mashhad, e os acusaram de atacar lojas, incendiar um banco e outros bens públicos e esfaquear dois membros da milícia Basij, formada por voluntários islâmicos e subordinada à Guarda Revolucionária.

De acordo com a Mizan, Hemmati reconheceu durante o processo judicial ter participado, juntamente com Nikandish, do ataque a uma loja e ter usado um coquetel molotov para incendiá-la, além de afirmar ter esfaqueado um dos membros da Basij.

Nikandish, por sua vez, admitiu ter portado uma faca, atacado uma loja e enviado vídeos das manifestações para o exterior, segundo a Justiça iraniana.

Com essas duas execuções, o número de pessoas enforcadas em relação aos protestos de janeiro sobe para pelo menos 31.

As mobilizações de janeiro que exigiam o fim da república islâmica foram sufocadas após uma dura repressão na qual, segundo as autoridades iranianas, morreram 3.117 pessoas, enquanto organizações de direitos humanos, como a opositora HRANA, com sede nos Estados Unidos, elevam esse número para mais de 7 mil.

O Irã é um dos países com o maior número de execuções no mundo. Em 2025, as autoridades iranianas executaram pelo menos 2.159 pessoas, mais do dobro do registrado em 2024 e o maior número contabilizado pela Anistia Internacional no país desde 1981.

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