O candidato Ciro Gomes (PSDB) afirmou que o Partido dos Trabalhadores (PT) ao qual esteve ligado no Ceará “errou em tudo” na condução da segurança pública durante o período em que esteve no poder. A declaração ocorreu nesta quarta-feira (19), durante entrevista ao Jornal da Cidade, da TV Cidade Fortaleza, ao ser questionado sobre o aumento dos homicídios no Estado entre os governos Cid Gomes e Camilo Santana.

Ciro foi confrontado com os números apresentados na entrevista: 4.439 homicídios em 2014, último ano do governo Cid Gomes; 5.133 em 2017, já durante a gestão de Camilo Santana; e 4.518 em 2018. Ao responder sobre quais teriam sido os erros do grupo político daquele período, Ciro foi direto: “Errou em tudo”.

O candidato também afirmou que não poderia se isentar da responsabilidade por ter apoiado aquele grupo político, embora tenha feito críticas à condução da segurança pública. Segundo ele, os questionamentos eram feitos principalmente em conversas internas e, em alguns momentos, também chegaram ao espaço público.

Ciro Gomes reconhece erros na segurança pública

Ao ser questionado sobre sua própria relação com o grupo político que comandava o Ceará naquele período, Ciro afirmou que tinha conhecimento da gravidade do avanço das facções criminosas no Estado.

A resposta ocorreu depois de o entrevistador perguntar se ele não tinha ciência do que estava acontecendo no Ceará. Ciro disse que tinha conhecimento e ressaltou que suas críticas foram apresentadas dentro da relação política que mantinha com integrantes daquele grupo.

O candidato afirmou que sua posição de oposição pública tinha limites enquanto mantinha uma relação política direta com os integrantes do grupo. Segundo ele, a discordância existia e era manifestada, mas nem sempre da mesma maneira em que seria apresentada por um adversário político.

Ciro também lembrou que disputou a Presidência da República em quatro ocasiões e utilizou a experiência para explicar a diferença entre uma relação de oposição pública e o diálogo interno entre integrantes de um mesmo campo político.

A declaração representa uma admissão de responsabilidade política em relação ao período, especialmente porque Ciro reconheceu que não poderia simplesmente se excluir da trajetória do grupo ao qual esteve associado.

Ciro contesta interpretação sobre queda dos homicídios

Na mesma resposta, Ciro Gomes fez uma avaliação sobre a redução dos crimes violentos letais no Ceará nos últimos anos.

O candidato reconheceu que o cenário ainda é grave, mas contestou a interpretação de que a diminuição dos homicídios represente, por si só, uma solução para o problema da segurança pública.

Na avaliação apresentada por Ciro, a redução estaria relacionada a uma mudança na disputa territorial entre organizações criminosas.

Ele afirmou que teria ocorrido um acordo entre facções e que, segundo sua interpretação, o Comando Vermelho, organização criminosa originária do Rio de Janeiro, teria consolidado o domínio sobre territórios em Fortaleza e na Região Metropolitana.

Essa afirmação foi apresentada pelo candidato como uma explicação para a redução dos homicídios. Ciro argumentou que uma queda no número de assassinatos não significaria necessariamente que o crime organizado tenha perdido força.

Por isso, ele defendeu que a análise da segurança pública considere também outros tipos de violência e controle territorial.

Candidato cita domínio de facções sobre comunidades

Ciro Gomes afirmou que o problema da segurança não pode ser medido apenas pela quantidade de homicídios registrados.

Segundo ele, mesmo com uma eventual redução das mortes violentas, permaneceriam problemas relacionados ao controle exercido por organizações criminosas em comunidades.

O candidato mencionou situações como a cobrança de valores de comerciantes e o controle de territórios como sinais de que a presença das facções continuaria sendo um problema para o Estado.

A avaliação de Ciro é que a redução dos assassinatos não deve ser utilizada isoladamente como indicador de sucesso da política de segurança.

A declaração amplia o debate sobre os indicadores utilizados para avaliar a violência no Ceará. Enquanto os números de homicídios são uma das principais referências para medir a violência letal, a atuação de grupos criminosos também envolve outros fenômenos, como ameaças, extorsões, domínio territorial e restrições impostas à população.

No entanto, as afirmações sobre um suposto acordo entre facções e sobre o domínio territorial mencionado por Ciro devem ser entendidas como a avaliação apresentada pelo candidato durante a entrevista, e não como uma conclusão independente da reportagem.

Histórico mostra oscilação nos números de homicídios

Os números apresentados durante a entrevista foram utilizados para questionar Ciro sobre o período em que seu grupo político esteve à frente do Ceará.

Em 2014, último ano da gestão de Cid Gomes, foram registrados 4.439 homicídios, conforme os dados mencionados na sabatina. Em 2017, durante o governo de Camilo Santana, o número citado foi de 5.133. Já em 2018, foram registrados 4.518 homicídios.

A comparação serviu de ponto de partida para discutir as mudanças ocorridas na segurança pública ao longo daquele período.

Ciro, em vez de atribuir o problema exclusivamente a uma gestão específica, assumiu que o grupo político do qual fez parte também teve responsabilidade.

A resposta “errou em tudo” foi dada após o questionamento sobre quais decisões ou estratégias teriam contribuído para que o cenário de violência chegasse àquele nível.

Ciro defende mudança na estratégia de combate ao crime

A avaliação feita durante a entrevista está relacionada à proposta de segurança apresentada pelo candidato para as Eleições 2026.

Em outro momento da sabatina, Ciro defendeu o fortalecimento da inteligência policial e apresentou uma proposta de integração de câmeras de segurança para auxiliar na identificação e no rastreamento de suspeitos.

Ele também falou sobre uma estrutura de inteligência comunitária, que teria como objetivo obter informações sobre a atuação das facções dentro das próprias comunidades.

A proposta inclui, segundo o candidato, a participação de pessoas que tenham conhecimento da dinâmica local e possam fornecer informações de maneira confidencial.

Ciro também defendeu a ampliação da presença da Polícia Civil no interior do Estado. Segundo ele, existem atualmente 71 municípios cearenses sem delegacia de polícia.

A estratégia apresentada pelo candidato combina, portanto, ampliação da estrutura policial, uso de tecnologia e fortalecimento da inteligência como instrumentos de enfrentamento ao crime organizado.

COMENTAR