Nesta segunda-feira (10), o Supremo Tribunal da Rússia anunciou a decisão de excluir das eleições legislativas de setembro o partido de oposição Yabloko, o único que se opõe à guerra na Ucrânia.
Desta forma, o órgão atendeu à ação movida pelo partido ultranacionalista Rodina, que acusou a legenda liberal de receber financiamento estrangeiro e outras violações.
Em seguida, o Yabloko, cuja lista eleitoral havia sido aprovada pela Comissão Eleitoral Central (CEC) no final de julho, adiantou que recorrerá da decisão dentro do prazo de cinco dias.
Um oficial de polícia ameaçou com um megafone os jovens presentes, ao afirmar que, se não se dispersassem “em dois ou três minutos”, seriam enviados ao centro de alistamento militar.
O juiz que presidiu a audiência, Viacheslav Kirilov – o mesmo que tornou ilegal a organização de direitos humanos Memorial, premiada com o Nobel da Paz em 2022 -, considerou justificada a exclusão do Yabloko.
Segundo a imprensa local, esta é a primeira vez na história moderna do país que uma legenda política é excluída depois que seu nome aparece oficialmente na cédula de votação, na qual ocupa o segundo lugar, atrás do Rússia Unida, do presidente Vladimir Putin.
Um representante da CEC entregou hoje ao juiz um documento secreto que, segundo seu depoimento, confirmaria o recebimento de “financiamento estrangeiro” pelo partido opositor, o que é terminantemente proibido por lei.
A CEC afirmou que o caso foi confirmado antes e durante a atual campanha eleitoral pela Rosfinmonitoring, o órgão supervisor financeiro que elabora a lista de extremistas e terroristas na Rússia.
No processo movido pelo partido ultranacionalista Rodina, a legenda opositora é acusada de apelos ao extremismo e à violação da integridade territorial da Rússia, apoio a minorias sexuais e violação de direitos intelectuais durante a campanha eleitoral.
O Yabloko exige o fim imediato dos combates e rápidas negociações de paz com a Ucrânia, além da libertação de mais de 1.750 presos políticos.
– O motivo de nossas divergências é que nós somos a favor da paz e eles a favor do derramamento de sangue. Eles entendem que as pessoas querem votar pela paz. E têm medo. Por isso querem nos excluir das eleições – afirmou o presidente do partido, Nikolai Rybakov.









