A nova rodada da pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (5) mostra que aumentou a quantidade de brasileiros que acredita que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) respondeu mal ao novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros exportados para lá.

A percepção se inverteu e piorou em três meses, período em que o governo de Donald Trump impôs uma sobretaxa de 25% por causa de supostas práticas comerciais desleais com empresas americanas e uma de 12,5% por uma alegada falha no combate ao trabalho forçado.

Enquanto que, em maio, 39% acreditavam que Lula respondeu bem, agora 43% afirmam que ele mandou mal na resposta. Agora, apenas 38% acreditam que a resposta a Trump foi boa, com a defesa da soberania brasileira.

A Quaest ouviu 2.004 pessoas em 120 municípios entre os dias 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-06591/2026.

Por outro lado, a Quaest também mostra que diminuiu a quantidade de brasileiros que acredita que Lula defende bem os interesses do Brasil hoje: de 51% para 46%. Na contramão, a percepção de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levanta a bandeira pela economia do país passou de 34% para 38%, enquanto que 9% acreditam que nenhum dos dois defende o Brasil.

“Vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei. Porque nós vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira”, disse Lula em um evento no Rio de Janeiro.

Desde que o governo Trump impôs um novo tarifaço ao Brasil, o país adotou uma estratégia em três frentes principais com defesa jurídica internacional, proteção do mercado interno e a ameaça de retaliação econômica bilateral. Junto disso, Lula e seus aliados levantaram a bandeira da soberania por uma suposta articulação para interferir nas eleições de outubro.

O Palácio do Planalto anunciou o início dos trâmites formais para acionar a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional para a adoção de sanções equivalentes ao país agressor. Entre elas estão elevação de tarifas para a entrada de produtos importados dos Estados Unidos, suspensão temporária de acordos comerciais vigentes e bloqueio ou moratória no pagamento de royalties por patentes norte-americanas.

Internamente, o governo destinou R$ 18,5 bilhões do programa “Brasil Soberano” para evitar demissões em massa e a desestruturação de cadeias industriais prejudicadas pelas barreiras (como calçados, móveis, aço, açúcar e etanol).

Os recursos não são a fundo perdido e correspondem a linhas de crédito subsidiadas e suporte financeiro imediato para os setores manufaturados com maior dependência do mercado americano.

Em paralelo, para diminuir a dependência econômica do mercado norte-americano, o Brasil saiu à procura de novos parceiros comerciais, principalmente entre os países que formam o Brics e economias asiáticas. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) intensificou viagens e rodadas de negócios buscando novos compradores de produtos brasileiros principalmente nas áreas de tecnologia, defesa e produtos agrícolas.

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