Um dos principais envolvidos na expulsão de moradores e na transformação do distrito de Uiraponga, em Morada Nova, em “território fantasma”, foi absolvido do crime de integrar organização criminosa. Márcio Jailton da Silva, o ‘Piolho’, foi condenado a apenas um ano de prisão por ter sido flagrado em posse ilegal de arma de fogo. Como estava detido preventivamente desde o ano passado na Unidade Prisional de Quixadá, a Justiça entendeu que ele já cumpriu a pena e expediu o alvará de soltura do custodiado no último dia 27 de julho.
‘Piolho’ foi apontado durante as investigações da Polícia Civil, conforme documentos obtidos pela reportagem, como um dos comparsas e executores diretos das ordens de José Witals da Silva Nazário, o ‘Playboy’, considerado o principal responsável pelo clima de terror e caos instaurado na região no ano passado. Ele teria participado de homicídios em série e contribuído para as extorsões, ameaças e expulsões que marcaram a “guerra” por território.
Mesmo assim, foi solto, porque o Colegiado da Vara de Delitos de Organizações Criminosas da Comarca de Fortaleza entendeu que as provas juntadas aos autos não eram suficientes para condená-lo por integrar organização criminosa. No entanto, por ter sido flagrado pela Polícia escondendo um revólver debaixo da cama na casa onde morava, em Quixadá, foi condenado apenas pela posse ilegal de arma de fogo de uso permitido.
Falta de provas
Na decisão que absolveu ‘Piolho’, a Justiça reforçou que as informações colhidas durante a investigação foram apenas de natureza inquisitorial e não conseguiram ser confirmadas por provas autônomas produzidas em Juízo. Além disso, a perícia nos aparelhos celulares apreendidos com ‘Piolho’ não apontou elementos que o associassem a organizações criminosas.
Os magistrados da Vara de Organizações Criminosas também consideraram que não foi feita a perícia de confronto balístico para ligar a arma apreendida em poder do investigado aos homicídios praticados em Uiraponga no primeiro semestre de 2025.
Como começaram os conflitos em Uiraponga?
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) à Justiça, a disputa por território em Uiraponga começou quando ‘Playboy’ se desentendeu com um antigo aliado, Gilberto de Oliveira Cazuza, o ‘Mingau’, então líder da facção Terceiro Comando Puro (TCP) na região.
Com a ajuda de ‘Piolho’ e de outros do bando, ‘Playboy’ encabeçou uma campanha de extrema violência para derrubar o domínio do adversário e tomar o poder. Só que não se limitou a atacar os integrantes da facção rival, e se voltou deliberadamente contra toda a população da localidade, expulsando cerca de 230 famílias e impondo o medo como estratégia de dominação.








