Dois novos projetos de data centers planejados para a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Caucaia preveem um consumo elétrico somado equivalente ao abastecimento de 4,5 milhões de residências. O volume supera a soma dos 3,8 milhões de domicílios de todo o estado do Ceará, contabilizados pelo Censo 2022 do IBGE.
A dimensão da demanda contrasta com a média nacional de consumo residencial, que foi de 179,3 kWh mensais por imóvel em 2025, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Além da eletricidade, os complexos exigirão suprimento constante de água para o resfriamento dos servidores, com previsão de adoção de sistemas de reuso para conter o gasto hídrico na região. As informações são do UOL.
Os pedidos de licenciamento prévio em análise pelo Governo do Estado pertencem à Voltalia Energia e à CDV DC II S.A., associadas à Casa dos Ventos. O plano da Voltalia envolve R$ 180 bilhões em investimentos ao longo de quatro anos em uma área de 62 hectares, enquanto o projeto da CDV DC II abrange 74 hectares. Os documentos não indicam quais empresas globais de tecnologia utilizarão a infraestrutura.
A instalação das estruturas gera apreensão local por estar localizada a menos de três quilômetros da aldeia central do povo indígena Anacé. De acordo com o cacique Roberto Anacé, cerca de 5.000 indígenas distribuídos em mais de 20 aldeias não foram consultados sobre os impactos do empreendimento em uma área historicamente afetada por secas e instabilidade elétrica.
Para tentar suprir a carga necessária, os projetos incluem a construção de parques eólicos e solares no semiárido cearense. No entanto, a proximidade dessas usinas gera queixas de moradores sobre a “síndrome da turbina eólica”, associada ao ruído e ao sombreamento dos aerogeradores. A pressão sobre redes elétricas por instalações do tipo já levou cidades como Nova York a suspender por um ano novas licenças para data centers de inteligência artificial.




