A Polícia Federal analisa a representação protocolada pelo deputado federal André Fernandes (PL) para apurar irregularidades na operação que localizou uma plantação de maconha em Acopiara, no interior do Ceará. O parlamentar questiona a atuação das forças de segurança do Estado após afirmar que parte da lavoura não teria sido destruída durante a ação da Polícia Civil. Além da PF, ele também acionou o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), contestando a versão apresentada pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
A iniciativa foi tomada depois que Fernandes divulgou um vídeo nas redes sociais mostrando a área da plantação. Segundo o deputado, ele esteve na fazenda após receber informações de que a operação não havia sido concluída. Imagens registradas por um drone, de acordo com o parlamentar, indicariam que apenas parte da plantação foi destruída, enquanto o restante do cultivo permanecia no local. André também afirmou que a propriedade não estava isolada e que não havia policiamento quando visitou a área.
“O questionamento que eu faço é: por que essa operação não foi concluída? Quem foi que interferiu e fez com que a operação não fosse concluída?”, provocou. Segundo André Fernandes, aproximadamente 80% da lavoura permaneceu intacta, além de ainda haver sacos com drogas, aparelhos celulares, documentos e anotações abandonados no local, sem registro de prisões relacionadas ao caso.
Em resposta, a SSPDS informou que houve uma “falha nos procedimentos de custódia do local do crime” e determinou a abertura de investigações administrativas para apurar responsabilidades. A explicação, no entanto, foi rejeitada pelo parlamentar, que afirmou que o delegado-geral da Polícia Civil, Márcio Gutierrez, esteve presente na operação e, por isso, a responsabilidade não poderia ser atribuída apenas aos policiais que atuaram no local.
Fernandes também criticou a abertura de procedimentos disciplinares contra agentes envolvidos na operação, sustentando que a apuração deve alcançar a cúpula da Segurança Pública. Segundo ele, as investigações precisam esclarecer quem determinou a interrupção dos trabalhos antes da destruição total da plantação e da coleta de todas as provas encontradas na fazenda.
A repercussão levou o governador Elmano de Freitas (PT) a visitar a propriedade no domingo (29). Durante a agenda, o petista afirmou que toda a plantação seria destruída, determinou a apuração dos fatos e pediu que André Fernandes informasse às autoridades quem teria afirmado que uma ordem superior interrompeu a operação. O deputado respondeu que cabe ao próprio governo esclarecer as circunstâncias da ação e reafirmou a necessidade de investigação pelos órgãos de controle.
Desperdício
Depois que o deputado federal André Fernandes denunciou que apenas cerca de 20% da plantação de maconha localizada em uma fazenda de Acopiara havia sido destruída, o governador Elmano de Freitas foi ao local para gravar um vídeo prometendo a erradicação total da lavoura.
Para cumprir a agenda, o deslocamento teve custo estimado em cerca de R$ 150 mil. Segundo informações obtidas pela reportagem com um especialista que pediu anonimato, foram utilizados um helicóptero EC-145 e um jatinho Learjet 45, com custo aproximado de R$ 100 mil e R$ 50 mil, respectivamente.
A fonte afirma que o helicóptero tinha autonomia para realizar todo o trajeto entre Fortaleza e Acopiara, tornando desnecessário o uso da segunda aeronave.








