O município de Pentecoste, localizado a 90 km de Fortaleza, perdeu metade dos postos de trabalho na indústria após o desligamento de 528 trabalhadores. A demissão em massa ocorreu com o fechamento de quatro fábricas de calçados na cidade. Em abril deste ano, Pentecoste contava com 2.276 postos de trabalho formais. A indústria do município tinha ao todo 1.079 empregos.
As informações consideram os dados mais recentes divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
De acordo com o Perfil dos Municípios, do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), a indústria de calçados e couros, no ano passado, foi responsável por cerca de 80% dos empregos formais de Pentecoste.
Em 2025, o município tinha cinco indústrias de calçados, que empregavam 939 pessoas. Pentecoste tinha 1.182 trabalhadores formais.
Para o economista Alex Araújo, essa demissão em massa reforça um problema crônico de municípios dependentes de um único empregador ou setor.
“Quando há forte concentração produtiva, um único evento empresarial pode produzir impactos macroeconômicos relevantes para todo o município. Neste caso, haverá perda relevante de massa crítica industrial, com desperdício de mão-de-obra especializada, desorganização da rede de fornecedores locais e de serviços técnicos”, classifica.
“Haverá ainda perda de conhecimento produtivo acumulado. A perda da indústria gera efeitos nocivos sobre a diversificação econômica, com impactos na administração pública, comércio e serviços”, completa o economista.
Demissão em massa é a segunda em dois anos e meio
O fechamento das unidades de propriedade de Alexandre Becker no município segue um padrão similar com o que aconteceu com a Paquetá no fim de 2023. Na ocasião, a gigante calçadista fechou as portas entre novembro e dezembro daquele ano.
Segundo o Novo Caged, em razão do encerramento das atividades da empresa no município, em novembro de 2023, foram fechados 828 postos de trabalho na indústria em Pentecoste. Somente 14 empregos foram criados.
João Mário de França acredita que o setor de comércio e serviços de Pentecoste devem ser mais afetados “devido à queda do poder aquisitivo das famílias atingidas direta e indiretamente por esses fechamentos, bem como via a interligação econômica que existia desses setores com essas fábricas”.
“Pode ocorrer futuramente outros desempregos, já que a diminuição de renda dessas famílias pode afetar a demanda por bens no comércio e de serviços, o que implicaria em outros postos de trabalhos perdidos, inclusive atingindo o setor informal”, alerta o especialista.
Fonte: DN





