A Praça Luiza Távora, na Aldeota, que dará nome a uma das novas estações subterrâneas a serem construídas no trajeto da Linha Leste do Metrô de Fortaleza (Metrofor), mudará completamente seu cenário. O local terá cronograma de obras e interdição por dois anos e meio, com intensa movimentação de operários e máquinas pesadas, além de possível remoção de parte das árvores nativas, a praça que é uma das mais agitadas de Fortaleza está causando questionamentos da população perguntando se não poderia ser em outro lugar.
Em vez do refúgio verde, com as sombras para alívio do calor, e o espaço livre para crianças e corridas ou caminhadas, o meio da praça terá brevemente uma grande vala de 38 metros de profundidade. Com mais 37 metros de diâmetro.
As escavações devem começar entre o fim de 2026 e início de 2027. Uma fonte repassou ao O POVO que podem ser a partir de outubro. A interdição para os trabalhos tem um agendamento indicado inicialmente de pelo menos 30 meses, a contar da assinatura da ordem de serviço.
No entorno desse grande “poço”, como é chamado nos registros técnicos do projeto, haverá um quadrilátero com mais escavações, como parte da projeção da vala. Esse traçado, que deverá ser isolado por tapumes, passa próximo à estrutura que abriga a Central de Artesanato do Ceará (Ceart), aparentemente sem comprometer o funcionamento. Mas a distância não conseguirá evitar barulho do maquinário, poeira e outros transtornos comuns em obras.
O ponto de entrada da estação subterrânea será ao lado de um dos “castelinhos” na esquina com a rua Monsenhor Bruno. É o que sedia o gabinete da primeira-dama do Estado, Lia de Freitas. No local hoje há um vagão de trem que abriga uma cafeteria.
Área da praça Luiza Távora que terá escavações para estação do Metrofor Crédito: Reprodução/Seinfra
O vagão deverá ser reposicionado mais próximo à cobertura da Ceart. A linha férrea terá o percurso por debaixo da avenida Santos Dumont. A estação anterior, edificada sob o Colégio Militar, na mesma avenida, fica a menos de um quilômetro. A estação seguinte é da rua Nunes Valente.
O POVO teve acesso a plantas, desenhos, cronogramas e todo o detalhamento que constam no processo licitatório sobre as três novas estações subterrâneas da Linha Leste (Sé, Luiza Távora e Leonardo Mota).
O projeto passará de cinco para oito estações, ao longo de 7,3 quilômetros. As outras estações são Tirol-Moura Brasil, Chico da Silva, Colégio Militar, Nunes Valente e Papicu. Todas as escavações seguem o padrão aproximado de 30 metros de profundidade.
As informações do edital nº 20260001 estão disponibilizadas no site da Secretaria de Infraestrutura do Estado (Seinfra), que conduz a contratação no formato de Concorrência Nacional Eletrônica. Com a ampliação do número de estações, o valor do projeto aumentou em aproximadamente R$ 1 bilhão, somado ao montante original, que era de R$ 2,8 bilhões. As desapropriações teriam alcançado R$ 450 milhões.
No subsolo, as bilheterias da estação Luíza Távora deverão estar a cerca de 10 metros da superfície. Até chegar às plataformas subterrâneas, os passageiros deverão utilizar pelo menos três escadarias. Os dutos de ventilação e a entrada da estação deverão ser as estruturas aparentes após a conclusão dos serviços. A projeção é que todo o espaço livre afetado, como o miolo da praça e as árvores retiradas, voltem à configuração anterior ao final da execução. A Seinfra confirma essa informação em nota.
Quando estiver concluída, a Linha Leste terá capacidade para transportar cerca de 150 mil passageiros diariamente. O tempo de deslocamento entre o Centro e o bairro Papicu será reduzido para aproximadamente 15 minutos. O governo estadual já havia informado que a inclusão das novas estações não altera o cronograma geral do empreendimento. A conclusão está prevista para 2028, quando as oito estações devem entrar em operação.








