A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira, 7, pela Polícia Federal (PF), colocou o núcleo político da investigação no centro das apurações sobre supostos crimes envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. Entre os alvos está o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que aponta indícios de que o parlamentar teria “instrumentalizado” o mandato para beneficiar interesses privados do Banco Master em troca de vantagens econômicas.
Segundo a decisão, a investigação reúne mensagens, comprovantes bancários, registros de viagens e movimentações financeiras consideradas atípicas.
A PF afirma haver indícios da prática de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro nacional.
Um dos principais pontos da investigação envolve a chamada “Emenda Master”, apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024 no âmbito da PEC 65/2023. A proposta ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Segundo a PF, o texto teria sido elaborado integralmente pela assessoria do Banco Master e entregue em envelope endereçado ao senador na residência dele. A decisão cita ainda mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro nas quais o banqueiro afirma que a emenda “saiu exatamente como mandei”.
Interlocutores ligados ao banco teriam dito que a medida poderia “sextuplicar” os negócios do Master e provocar uma “hecatombe” no mercado financeiro.
Os investigadores sustentam que o texto apresentado ao Senado reproduziu “de forma integral” a versão produzida previamente pelo banco. A emenda, no entanto, não foi aprovada e tornou-se alvo de investigação da Polícia Federal.
Além da emenda, a PF afirma que minutas de outros projetos de lei de interesse do grupo econômico também circularam entre a residência do senador e escritórios ligados ao banqueiro antes de serem formalmente protocoladas no Congresso.
Pagamentos mensais de até R$ 500 mil
Outro eixo da investigação envolve uma suposta estrutura de pagamentos recorrentes ao senador por meio da chamada “parceria BRGD/CNLF”.
De acordo com a investigação, repasses começaram em R$ 300 mil mensais e depois teriam sido ampliados para R$ 500 mil. A PF afirma que as transferências eram operacionalizadas por Felipe Cançado Vorcaro, sob ordens diretas de Daniel Vorcaro.
Mensagens reproduzidas na decisão mostram conversas sobre a continuidade dos pagamentos:
“Oi, é para continuar pagando a parceria brgd/cnlf? 300k mes?”, diz um trecho.
Em outro trecho, Daniel Vorcaro responde que os envios eram “muito importantes”. Mais adiante, há referência ao aumento dos valores: “Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”






