Médicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Fortaleza denunciam um agravamento no histórico de atrasos salariais neste mês de abril. A situação, descrita pela categoria como recorrente, chegou a um ponto crítico após o pagamento referente a fevereiro não ter sido realizado dentro do cronograma habitual.
Segundo um dos médicos ouvidos pelo O POVO, que preferiu não se identificar, o sistema de remuneração dos profissionais já funciona, normalmente, com um intervalo de cerca de 45 dias.
“Os salários referentes ao mês de fevereiro deveriam ter sido pagos por volta do dia 15 de abril, o que já representa um atraso considerável, mas estávamos aceitando pela dedicação ao serviço e por entender a lógica dos repasses”, afirmou.
De acordo com os relatos, a justificativa apresentada pela Cooperativa de Atendimento Pré e Hospitalar (Coaph), responsável pelos pagamentos dos médicos cooperados do Samu, foi de que a Prefeitura enfrentava um processo de renovação contratual e ampliação do quadro de profissionais, o que teria provocado insuficiência de recursos.
“No fim das contas, também somos trabalhadores e precisamos, no mínimo, receber pelo nosso trabalho”, acrescentou o profissional.
Sindicato cobra resposta
Ainda conforme o médico, o pagamento — que normalmente leva cerca de seis dias úteis após a sinalização da Prefeitura — ocorreu de forma mais rápida após uma mobilização sindical realizada no último dia 22 de abril.
O Sindicato dos Médicos confirmou ter enviado ofícios à Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e à Coaph cobrando esclarecimentos, mas informou que, até o momento, não recebeu resposta oficial. A entidade afirmou ainda que o atraso atinge toda a categoria médica que atua no Samu Fortaleza.
“Caso não haja definição e a efetivação do pagamento, entraremos com uma ação judicial, conforme ocorre com os municípios que estão no Devedômetro”, informou o sindicato, em nota enviada ao O POVO.






