A escritura transfere o “usufruto vitalício” do imóvel a outra mulher, de 54 anos, também identificada como empregada doméstica.
Ela informou como um de seus endereços anteriores outra propriedade da família Toffoli: uma casa de 451 metros quadrados no Lago Norte.
Com dois andares e piscina, esse imóvel também está em nome de Pietra, filha do ministro. A casa foi comprada por Toffoli ainda em 2006, por R$ 700 mil. No entanto, em 2023, o ministro transferiu a propriedade para a filha, declarando o valor de R$ 2,3 milhões.
Segundo corretores especializados na região, uma casa com metragem semelhante na mesma quadra não sai por menos de R$ 4,2 milhões.
Os bens do clã Toffoli-Rangel: R$ 26,4 milhões
Em apenas três anos, de 2022 a 2025, Toffoli, a filha e sua então mulher, a advogada Roberta Rangel, adquiriram quatro novos imóveis, avaliados em cerca de R$ 4,9 milhões. Assim como no caso do apartamento no Noroeste, não há menção a financiamentos nas escrituras.
Somados, todos os imóveis em nome de Toffoli, da filha Pietra, de Roberta Rangel e do escritório chegam a R$ 26,5 milhões em valor de mercado. Só os bens em nome do escritório somam cerca de R$ 12 milhões.
A conta é pertinente, pois o volume de trabalho de Roberta Rangel aumentou nos tribunais superiores desde a nomeação de Toffoli para o STF. O número de causas dela no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) cresceu 140% após a nomeação do ex-marido.
Enquanto esteve casada com Toffoli, Roberta Rangel também arrematou um apartamento de 83 m² no mesmo Setor Noroeste. A aquisição, à vista, ocorreu em outubro de 2023. À época, o valor declarado na escritura foi de R$ 669 mil. Hoje, porém, um apartamento com a mesma metragem e no mesmo prédio é anunciado por R$ 1.250.000,00.
Em dezembro passado, após o fim do relacionamento com Toffoli, Roberta Rangel comprou mais um apartamento. Desta vez, uma cobertura na Asa Norte, com área de 259 m². Um imóvel no mesmo prédio, de alto padrão, está anunciado por R$ 4,1 milhões. Novamente, não há menção a financiamento bancário na escritura.
Antes de se tornar ministro do STF, em outubro de 2009, Toffoli foi sócio de um escritório de advocacia. A banca levava o nome de “Toffoli & Rangel Advogados”, mas hoje é apenas “Rangel Advogados”.
O escritório era conduzido por Dias Toffoli e pela advogada Roberta Maria Rangel, que anos mais tarde viria a se casar com o ministro — os dois oficializaram a união em dezembro de 2013 e ficaram juntos pelo menos até meados do ano passado. O ministro foi sócio do escritório de agosto de 2005 a fevereiro de 2007.
“O terreno é da sogra do Toffoli”
Meses depois de Dias Toffoli tomar posse como ministro do STF, o Rangel Advogados fez uma importante aquisição: um terreno de 1.875 m² no Lago Norte. O valor declarado na compra, realizada em dezembro de 2009, foi de R$ 1 milhão. Hoje, a propriedade vale pelo menos R$ 7 milhões, segundo corretores consultados pela coluna.
A primeira dona do terreno foi a ex-deputada federal Ivete Vargas (1927-1984), sobrinha-neta do ditador Getúlio Vargas (1882-1954).