O crime organizado brasileiro movimenta cifras que rivalizam com grandes economias nacionais e impõe um peso silencioso sobre a sociedade. Estimativas apontam que assaltos, tráfico de drogas, contrabando, fraudes, crimes ambientais e a ocupação ilegal de territórios custam até R$ 1,3 trilhão por ano ao Brasil. Esse valor equivale a cerca de 11% do Produto Interno Bruto (PIB) e funciona como um verdadeiro “imposto oculto” pago por empresas e consumidores.
Segundo cálculos divulgados pelo Instituto Igarapé, os maiores beneficiários dessa engrenagem ilegal são facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), embora não sejam as únicas. O levantamento reúne dados de diversas instituições nacionais e internacionais e estima perdas anuais de R$ 373 bilhões com crimes e violências, R$ 468 bilhões com mercados ilícitos e pirataria, R$ 300 bilhões com economia subterrânea e sonegação, além de cerca de R$ 200 bilhões ligados a crimes ambientais.
Apesar de avanços pontuais na segurança, o perfil da criminalidade tem mudado. Os homicídios caíram quase 25% na última década, mas crimes como estelionato, especialmente no meio digital, dispararam. Em seis anos, os registros de golpes saltaram de 400 mil para mais de 2 milhões, enquanto os roubos tradicionais caíram pela metade. Ao mesmo tempo, as apreensões de drogas bateram recorde, passando de 1,6 mil toneladas em 2023 para 2,1 mil toneladas em 2024, um aumento de 30%.
O impacto financeiro vai além das perdas diretas. Cada morte violenta custa, em média, R$ 1 milhão aos cofres públicos, considerando gastos com saúde, segurança e perda de produtividade. Somente em 2023, os governos gastaram R$ 124,8 bilhões em segurança pública. Para especialistas, quando somados contrabando, pirataria, crimes ambientais e economia paralela, a “economia do crime” brasileira alcança dimensão semelhante à de países como Portugal, funcionando como um freio estrutural ao crescimento e ao desenvolvimento do país.







