Há mais de uma década, duas máquinas tuneladoras, conhecidas como tatuzões, trabalham na perfuração dos túneis da Linha Leste do Metrô de Fortaleza, que ligará o Centro da cidade ao bairro Papicu. Apesar do avanço, erros operacionais considerados “grotescos” geraram prejuízos milionários de recursos públicos. Um dos graves problemas enfrentados pela obra consiste em um erro grosseiro: das duas tuneladoras que perfuram os túneis, uma errou o alvo por uma falha de posicionamento, distanciando-se cerca de 2,5 metros do ponto a que deveria chegar.
O problema já se arrasta há mais de sete meses e segue sem qualquer solução efetiva. De acordo com a estimativa apresentada, o conserto deve custar cerca de R$ 90 milhões, valor que reforça o impacto financeiro do erro técnico para os cofres públicos. Mesmo que as intervenções tivessem início imediato, o prazo para a conclusão das obras seria de, no mínimo, três a quatro meses, período em que o cronograma do empreendimento continuaria comprometido, explicou o técnico.
Com pouco mais de 7 quilômetros de extensão, a obra foi iniciada ainda na gestão do ex-governador e atual senador, Cid Gomes (PSB), em 2013. Paralisada em 2015, relicitada em 2018 e novamente interrompida em 2021, atravessou os dois mandatos do atual ministro da Educação, Camilo Santana (PT), e de Izolda Cela (PSB), no Palácio da Abolição.
Entre atrasos e desperdício de recursos, o governador Elmano de Freitas (PT) estima que a obra só será concluída em 2028.
“A tuneladora, quando está funcionando, vai rompendo o solo e revestindo esse túnel, já com as aduelas de concreto para proteger e evitar a pressão da água”, afirmou uma fonte que preferiu não se identificar, mas que possui amplo conhecimento do processo projetado para a linha.
“O software dela é muito sofisticado. Tem uma comunicação via satélite, tem um piloto que fica operando a máquina, sabendo exatamente qual o percurso dela. Normalmente, na superfície, você contrata uma outra instrumentação, que é uma estação total, que também é para poder fazer a conferência”, ressaltou.
Contudo, segundo a fonte, o contrato encerrou e o Governo do Estado não teve o cuidado de renová-lo. Dessa forma, o equipamento começou a fazer a leitura errada na estação do Colégio Militar.
A fonte considera o erro grotesco, uma vez que a tecnologia de georreferenciamento é usada com praticamente zero chances de insucesso.
“Vai ter que ser feita uma caverna. Essa máquina está a 30 metros de profundidade. Vai ser feita uma caverna, vai se romper a lateral de um cubo de jet grouting, que é um concreto mais pobre, que não tem aço, que você pode arrastar a máquina. Isso, normalmente, com a tecnologia que tem hoje, levaria aí três ou quatro meses para fazer essa construção”, explicou o técnico.







