O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), pediu ao ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, a alocação de blindados da Marinha para operações em áreas controladas pelo Comando Vermelho e outras facções criminosas, mas os pedidos foram negados pelo governo Lula.

Nesta terça-feira (28), as forças de segurança realizam uma operação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro. Ao todo, mais de 2,5 mil homens foram mobilizados e pelo menos 64 pessoas já morreram no conflito.

Um ofício obtido pela coluna mostra o pedido de Castro ao ministro, datado do dia 28 de janeiro. Na ocasião, Castro solicitou que os armamentos fossem disponibilizados com os respectivos operadores para o enfrentamento com a facção criminosa.

Em entrevista coletiva, o governador Cláudio Castro (PL) disse que não solicitou apoio ao governo federal para a operação de hoje, uma vez que, anteriormente, três pedidos para o uso de blindados foram negados.

“Tivemos pedidos negados três vezes. Para emprestar o blindado, tinha que ter GLO [Garantia da Lei e da Ordem], e o presidente [Lula] é contra a GLO. Cada dia é uma razão para não colaborar”, disse Castro na coletiva de imprensa.

Segundo aliados do governador, Mucio apenas disse que Castro procurasse o comandante da Marinha na região. Coube ao oficial negar o pedido, sob o argumento de que seria necessária uma operação Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para o uso das tropas, algo com o quê o governo federal não concordava.

Segundo o documento obtido pela coluna, o blindado pretendido era o Carro Lagarta Anfíbio (CLAnf). Segundo a Marinha, esses veículos são usados “para realizar o Movimento Navio para a Terra (MNT), aumentar a mobilidade, prover proteção blindada e ampliar o poder de fogo das tropas embarcadas, por meio do emprego dos armamentos orgânicos das viaturas”.

Em nota à coluna, o Ministério da Defesa disse que o pedido de Cláudio Castro para o uso dos blindados foi submetido à análise da Advocacia-Geral da União (AGU).

Segundo o ministério, a AGU indicou que o pedido só poderia ser atendido com uma GLO, o que demandaria uma decisão do presidente da República.

A nota diz ainda que o pedido de Castro se deu no contexto da morte de uma militar dentro de um hospital da Marinha.

COMENTAR