A crise diplomática entre os Estados Unidos e a Colômbia voltou a se agravar neste fim de semana após o presidente Gustavo Petro criticar publicamente a presença militar americana no Caribe. Em resposta, o presidente Donald Trump suspendeu todos os subsídios e pagamentos enviados ao país e acusou Petro de ser “um líder do tráfico de drogas” que “transformou o narcotráfico no maior negócio da Colômbia”. Desde que Petro assumiu a presidência da Colômbia, em agosto de 2022, o país sul-americano registrou uma expansão na produção de cocaína. Dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), divulgados em outubro do ano passado, indicam que, em 2023, o país alcançou 253 mil hectares de plantio de coca, um aumento de 10% em relação ao ano anterior e o maior patamar em mais de duas décadas. A produção potencial de cocaína também cresceu 53%, chegando a 2.664 toneladas anuais.
O tensão diplomática começou no sábado (18), quando Petro afirmou que os Estados Unidos violaram a soberania colombiana com suas operações contra o narcotráfico na região.
“No Caribe caem mísseis como em Gaza sobre lanchas de pessoas que, sejam ou não ativas no tráfico, têm o direito de viver”, afirmou o presidente.
No domingo (19), Trump reagiu pela Truth Social dizendo que “Petro promove a produção massiva de drogas em grandes e pequenos campos por toda a Colômbia” e anunciou o fim imediato dos subsídios e pagamentos enviados ao governo colombiano.
A ONU também apontou que o crescimento do cultivo de coca se espalhou por 16 das 19 províncias produtoras, e que grupos armados e organizações criminosas permanecem profundamente envolvidos no mercado da droga, alimentando a violência e o desmatamento na Colômbia.
Estudo do economista Daniel Mejía, citado em uma reportagem do jornal El País, calcula que o narcotráfico movimenta na Colômbia cerca de US$ 15,3 bilhões anuais, o que se aproxima de 4,2% do PIB do país sul-americano. Ainda segundo o estudo, o narcotráfico tem forte impacto em setores legais da economia colombiana, como construção e turismo.
Segundo Mejía, o narcotráfico já se infiltrou nas economias locais da Colômbia e tornou-se o principal motor de consumo e investimento em várias regiões do país.








