Uma idosa de 61 anos conta a tensão que foi quando uma facção criminosa expulsou ela de casa, “Sabe o que é dois minutos? Eles deram dois minutos para eu sair de casa. Só com a roupa do corpo”, diz Hosana dos Santos, que se viu sem nada. Em questão de minutos o próprio lar onde ela morava há 20 anos junto à família foi tomado a mando da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE).
“Era um domingo. Eu tava assistindo Sílvio Santos, me lembro como se fosse hoje. Marcaram com um X minha parede, deram uns cinco tiros e começaram a chutar meu portão dizendo que eu ia morrer, que iam matar todo mundo e que o tempo tava passando” (sic), lembrou.
Hosana entrou para a estatística de ‘deslocados urbanos’. Vítima do impacto da ‘guerra’ sofrida diretamente por quem vive em áreas periféricas de Fortaleza. Casos com o dela seguem sendo acompanhados de perto por órgãos, como o Ministério Público do Ceará (MPCE) e a Defensoria Pública do Ceará.
Hosana morava na Rua 13 de agosto, no bairro Floresta, em Fortaleza. Uma casa de mutirão entregue ainda na época da gestão do prefeito Juraci Magalhães, segundo ela.
Junto a duas filhas, o neto e o genro, a família passava os dias sob o mesmo teto e viram de perto a ‘guerra’ das facções aflorar no bairro.
“Eu saía para trabalhar de manhã e só voltava à noite. Passava o dia vendendo minhas coisas, lingerie.Tinha uma vida normal. Quando começavam os tiroteios voltava pra casa mais cedo”, conta Hosana.
Ao lembrar do dia 31 de maio de 2020 Hosana diz que “treme quando começo a falar disso”.
“Começou um tiroteio e tranquei tudo. Fiquei lá dentro apavorada. A Polícia chegou e depois quando o Raio foi embora, eles (facção) voltaram para a rua e marcaram as casas que era pra sair. Marcaram com um X e a minha tava no meio. Picharam meu portão, deram cinco tiros e mandaram a gente sair. Como que eu ia sair com um bando de marginal lá fora?”, recorda.
Apavorado, o genro da vendedora ligou para a Polícia. “O Raio veio e eles estavam com medo também. Deram cobertura pra gente e disseram: não peguem nada, a gente vai dar cobertura, mas vocês têm que sair. Eu não peguei nada. Saí com a minha roupa de dormir. Do jeito que eu tava”, relata Hosana.
Só em ouvir em voltar ao local para tentar pegar o mínimo dos seus pertences, a vítima disse que “tremia”. Depois de alguns dias na casa do genro, passou pela casa de uma amiga, depois na casa da irmã e ainda pediu ao ex-marido, pai de uma das filhas dela, ‘um canto para ficar’.
“Eu pedi a ele. Pedi pelo amor de Deus que ele me desse um lugar e que quando eu melhorasse de vida entregava a casa dele. A casa dele tinha sido derrubada e estava reformando. Lá não tinha água e não tinha luz. Passei uns três meses, eu e minha filha, lá.
A energia com vela e a água a gente pegava no vizinho”, lembra Hosana.
Fonte: DN








