O ativista conservador morto em um atentado numa universidade americana nesta quarta-feira (10) tinha 31 anos, era próximo de Donald Trump e ficou conhecido por criar uma organização estudantil que mudou o perfil da juventude conservadora no país. Charlie Kirk, casado e pai de dois filhos, vinha percorrendo universidades americanas para responder questionamentos de estudantes sobre temas controversos. Ele participava de um desses eventos na Universidade do Vale de Utah (Utah Valley University) quando foi atingido e morto. “Mais do que apenas uma celebração do avanço conservador, esta turnê é uma resposta direta àqueles que tentam silenciar vozes dissidentes”, dizia o material de divulgação da série de eventos.
O tour havia recebido o nome de “O Retorno da América” e, segundo a organização, tinha como objetivo confrontar diretamente a desinformação progressista e oferecer aos estudantes os fatos que eles não ouvirão em sala de aula.
“O grande, e até mesmo lendário, Charlie Kirk está morto. Ninguém compreendia o coração da juventude dos Estados Unidos da América melhor do que Charlie. Ele era amado e admirado por todos, especialmente por mim, e agora não está mais entre nós. Meus pêsames e os de Melania [Trump, primeira-dama] vão para sua linda esposa Erika e sua família. Charlie, nós te amamos!”, afirmou Trump, em um comunicado postado pela Casa Branca no X.
Apesar da retórica afiada, Kirk costumava debater os oponentes de forma respeitosa. Seu raciocínio rápido e destemor o transformaram em uma das faces mais conhecidas da renovação da direita americana — ele tinha mais de 5 milhões de seguidores no X e cerca de 7 milhões no Instagram.
Na última publicação que postou antes de ser baleado, Kirk criticou a cobertura dada pelo jornal The New York Times sobre a morte de Iryna Zarutska, uma ucraniana assassinada dentro de um vagão de trem na Carolina do Norte.
“Algum dia os democratas e os seus aliados na mídia progressista vão ficar mais chateados com a morte de uma pessoa inocente do que com o fato de que os conservadores repararam que uma pessoa inocente foi assassinada?”, questionou.
Organização estudantil sem precedentes
A Turning Point USA foi fundada em 2012 por Charles Kirk e Bill Montgomery (1940-2020), um empresário e conhecido ativista do Tea Party (ala mais conservadora do Partido Republicano), considerado seu mentor. Cinquenta anos mais velho que Kirk, então com 18 anos, ele o encorajou a largar a vida acadêmica para se dedicar à política em tempo integral — apenas um mês depois de se conhecerem.
A organização nasceu com a missão ambiciosa de formar uma rede nacional de jovens conservadores com habilidade para promover valores como livre mercado, governo limitado e liberdades individuais. Mas, para isso, era preciso também partir para o combate contra a hegemonia progressista no sistema educacional americano.
O grupo ganhou visibilidade por apoiar a candidatura de Donald Trump em 2016, em um período no qual o Partido Republicano (inclusive suas alas mais jovens) ainda hesitava em abraçar a campanha do futuro presidente.
Atualmente, a Turning Point está presente em mais de 3,5 mil instituições de ensino espalhadas por todos os 50 estados dos EUA — desde escolas secundárias até universidades. Seu crescimento rápido criou uma infraestrutura política sem precedentes no movimento conservador do país.
A estratégia da entidade combina campanhas digitais arrojadas com eventos presenciais concorridos, que atraem milhares de jovens conservadores de todo o país. Sua influência transcende os limites dos campi universitários e se estende para eleições locais, estaduais e nacionais.
Primeiro protesto foi no Facebook
Charlie Kirk nasceu em 14 de outubro de 1993, num subúrbio de Chicago. Filho de um arquiteto e de uma conselheira da área de saúde mental, ele mostrou, desde cedo, sua capacidade de mobilização.
Primeiro, como membro dos Boy Scouts of America, o mais tradicional grupo de escoteiros do país. E, mais tarde, no papel de voluntário estudantil em campanhas republicanas, quando ainda cursava o ensino médio.
Nessa época, Kirk ficou conhecido por liderar um boicote contra o aumento dos preços na lanchonete de sua escola utilizando uma ferramenta até então pouco utilizada nesse tipo de ação: o Facebook. Segundo ele, a experiência representou sua primeira vitória na luta contra o que chamava de “exploração sistemática” e “abuso de poder institucional”.







