O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), tem reiterado em entrevistas que a distribuição de medicamentos na rede pública municipal foi normalizada. Contudo, oito meses após o início de sua gestão, pacientes ainda relatam dificuldades para encontrar os remédios básicos nos postos de saúde da capital cearense.
Um desses usuários é a babá Tayná Gomes que relatou que, apesar de ter conseguido os remédios desta vez no posto Sandra Maria Faustino Nogueira, no bairro Vicente Pinzón, passou por momentos de aflição anteriormente. “Hoje eu consegui, mas nos dias anteriores, que meu filho ficou doente, nem de pirona estava tendo. Remédio que no UPA dizia que pegava no posto, estava dizendo que precisava comprar. Hoje, graças a Deus, teve os remédios certos”, contou.
Desde o final de 2023, a reportagem da TV Cidade acompanha o cenário de desabastecimento. À época, faltavam medicamentos essenciais como insulina, remédios para hipertensão, diabetes e até analgésicos comuns. O prefeito Evandro Leitão, ao assumir em janeiro, prometeu resolver o problema até março, iniciando uma força-tarefa em parceria com o Governo do Estado e recebendo R$ 25 milhões em recursos. Em abril, porém, a falta de medicamentos persistia, e Evandro Leitão garantiu em entrevista ao programa Balanço Geral que a situação estaria normalizada em 30 dias. Mesmo assim, em maio, ainda havia escassez de cinco dos 90 medicamentos básicos.
Prefeitura cita problemas com fornecedores
De acordo com Nívia Tavares, coordenadora de Assistência Farmacêutica de Fortaleza, parte do problema estaria relacionada a dificuldade com fornecedores. “O processo de compra foi feito, mas o fornecedor não tem o item para entregar ao município. Os outros itens estão com prazos de entrega em andamento”, afirmou. Enquanto isso, relatos como o do aposentado Antônio Nunes continuam a surgir: “A insulina de pH está faltando. Eu recebo losartan, insulina regular, mas essa não tem”.
A situação se repete em diversas unidades. No posto Dr. Célio Brasil Girão, no bairro Serviluz, pacientes relatam a ausência de médicos, dificuldades para marcar consultas e prateleiras vazias. “Não tem médico, não tem remédio, toda vez que venho aqui nunca tem nada. Marcar dentista? Daqui a cinco anos, talvez”, desabafou a aposentada Maria Ivanete. Já a auxiliar de cozinha Maria Eliseuda dos Santos também se frustrou: “Era para ser 11 horas, cheguei 8h45 e não fui atendida. Agora só no dia 7 de setembro. Estou sem remédio da pressão e sem o controlado que tomo”.
Apesar das falhas, algumas unidades começam a mostrar melhora. Bernadete Maciel, trabalhadora autônoma, conseguiu receber os medicamentos necessários no posto da Messejana. “Consegui. Tinha todos: os meus, do meu marido e até para minha menina, que era remédio de verme”, celebrou. A esperança dos moradores é que essa realidade seja estendida a toda a cidade, como tem prometido o prefeito. “A saúde de Fortaleza também será uma referência em todo o Brasil”, afirmou Evandro Leitão em nova declaração no fim de agosto.
Procurada pela TV Cidade para comentar as reclamações do posto do Serviluz, a Secretaria Municipal de Saúde respondeu apenas que seria necessário identificar os princípios ativos dos medicamentos não encontrados pelos pacientes. Nenhuma explicação foi dada quanto à falta de médicos ou à dificuldade de agendamento nas unidades básicas.







