Com o anúncio do presidente Donald Trump, nesta quarta-feira, 9, de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, o Ceará pode sofrer um forte impacto na sua balança comercial. Isso porque os Estados Unidos é o principal parceiro comercial do Estado, representando quase 48% de todas as exportações de produtos em 2025.

Só nesse ano, as exportações cearenses para o país chegaram a um valor de mais de US$ 366,8 milhões, conforme dados do Observatório da Indústria do Ceará. Dentre os principais produtos exportados estão: aço (US$ 262,3 milhões); peixes (US$ 19,1 milhões) e calçados (US$ 13,9 milhões).

Segundo o economista Ricardo Coimbra, o Brasil e o Ceará já tem sofrido reflexos da primeira tributação, do aço e do alumínio, em fevereiro deste ano, e pode ter consequências ainda maiores com as novas medidas.

O especialista em comércio exterior e despacho aduaneiro, Augusto Fernandes, contou ao O POVO que a nova taxação pode “inviabilizar” qualquer exportação brasileira para os Estados Unidos.

Augusto disse que muitos setores podem sofrer impacto, como: o setor eólico, que exporta pás, além das confecções que produzem diversos produtos.

Para o especialista, a situação deve se reverter, com um acordo sendo firmado entre as nações: “O Brasil é o país dos acordos”.

Sobre a questão de buscar novos mercados para os produtos produzindo, Fernandes disse ser muito difícil o processo de desenvolver novos compradores, e afirma que saída realmente seria um acordo. Para ele, os Estados Unidos tem interesse no Brasil:  “Os Estados Unidos também tem um interesse no Brasil, principalmente no nosso etanol, nossa moeda de barganha. Tirando os aspectos políticos,  o que parece ser o cerne da questão, pelo menos foi ensaiado para tudo isso, mas existem interesses, sim, dos Estados Unidos”, completou.

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