A Telebras sobre a gestão de Lula trabalha para aumentar o número de cargos de indicação política de 56 para 88. Em 2024, a estatal teve resultado deficitário — um prejuízo de R$ 256 milhões. Vinculada ao Ministério das Comunicações, a empresa é presidida desde maio por André Leandro Magalhães, um indicado do presidente do Senado Davi Alcolumbre. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a criação dos postos custará R$ 12,3 milhões à estatal.

Alcolumbre foi responsável pela indicação do presidente anterior da Telebras, Frederico de Siqueira Filho, para o cargo de ministro das Comunicações, em abril. Com a mudança de Siqueira Filho da estatal para o ministério, André Magalhães assumiu a empresa.

A ida de Siqueira Filho para a pasta, não sem um certo mal-estar com o governo, ocorreu após o pedido de demissão de outro integrante do União Brasil, o ex-ministro e deputado federal Juscelino Filho (União-MA). O deputado se afastou da autarquia por ter sido denunciado pela Procuradoria-Geral da República por suspeita de desvio de recursos de emendas parlamentares.

O aumento no número de cargos com indicação política, no entanto, é anterior a essa dança das cadeiras e já foi aprovada pelos conselhos fiscal e de administração da Telebras, com o aval dos comitês de auditoria e de pessoas.

O Ministério Público do Trabalho moveu uma ação civil pública contra a empresa, que foi condenada em primeira e segunda instâncias a reverter a política de substituição de funcionários concursados por comissionados.

Em resposta à Gazeta do Povo, a Telebras afirmou que o objetivo da reestruturação é alinhar o quadro funcional às “atribuições crescentes” da estatal, especialmente na execução de políticas públicas de inclusão digital e fornecimento de soluções tecnológicas ao Estado.

A companhia ainda disse que está ampliando sua carteira de clientes públicos — como INSS, Datasus, Ministério do Trabalho, Iphan, ANM, ICMBio, Inmet e TJMG —, o que traz a necessidade de um corpo técnico compatível com essas demandas.

Em relação aos cargos comissionados, a empresa afirmou que a proposta está em fase de análise e seguirá rigorosamente a legislação e as decisões judiciais pertinentes.

Ao justificar a necessidade de novas contratações, a estatal também afirmou que, após convocação de aprovados em concurso, algumas áreas estratégicas — como finanças, engenharia elétrica, de redes e telecomunicações — já não têm mais candidatos no cadastro de reserva.

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