O brasileiro vem sendo obrigado a adaptar a sua alimentação diante da crise econômica que patrocina a escalada de preços e o aperto no orçamento doméstico. Dados da Kantar, uma das maiores empresas de pesquisa de mercado, mostram que, sob pressão inflacionária, o consumidor trocou refeições em restaurantes e alimentos frescos por produtos mais baratos e industrializados. O óleo de soja, por exemplo, ficou 17,5% mais caro, mas ainda assim. O movimento revela que as famílias direcionam seus recursos a itens básicos de preparo domestico, priorizando marcas mais baratas e ofertas de promoção.

Para caber no orçamento, os “pacotinhos” ganharam espaço, principalmente alimentos e bebidas. Mercearia Salgada, (8,3%), perecíveis (6,1%), bebidas (8,3%), e mercearia doce (7,1%), tiveram aumentos maiores em unidades do que em volume, evidenciando o uso de embalagens menores.

Ao mesmo tempo, os produtos premium ganharam participação ?essa faixa de preço teve menor aumento de preço (3,4%), comparada às faixas convencional (6,1% de aumento) e econômica (8,3%).

Essa tendência de valorização do premium também aparece em categorias como café torrado, óleo de soja e iogurtes.

No café torrado, mesmo com aumento expressivo no preço médio (21,9%), as unidades vendidas cresceram 5,1%, indicando que o consumidor segue priorizando a categoria, possivelmente migrando para versões mais sofisticadas, como cafés especiais ou cápsulas, especialmente em embalagens menores.

Nos iogurtes, o cenário é de queda em unidades (-5,9%) com alta de 16,2% no preço. Aqui, diz o relatório, o consumidor parece reduzir o volume, mas não abandona a categoria ?optando por versões de maior valor agregado, como iogurtes proteicos ou funcionais, buscando manter a qualidade com controle de gasto.

Fora de casa, o consumo de comida e bebida diminuiu. Em comparação com o ano passado, houve uma queda de 8,3% no número de itens comprados (como pratos, bebidas ou lanches) e de 20,9% no volume total consumido.

A pista do porquê está no preço. Comer fora ficou mais caro, especialmente no almoço (R$ 35,40, aumento de 22,1%), enquanto o café da manhã ficou mais barato (R$ 13,40, queda de 19,8%).

O contraste entre casa e restaurante também aparece na escolha da proteína. O ovo foi o item que mais cresceu nas casas brasileiras, especialmente no café da manhã, por ser mais barato e fácil de preparar do que outras proteínas, analisa a pesquisa. Mesmo com a disparada de preços e maior inflação do Plano Real.

Para comer fora, entretanto, a lógica dos brasileiros, segundo a Kantar, é: já que vai pagar caro, é melhor comer algo melhor. O bife cresceu 19,3 pontos percentuais desde o início de 2024 e é a escolha preferida para comer nos restaurantes, seguido por queijo (alta de 5,1 pontos percentuais).

A Geração Z (jovens de 16 a 30 anos) foi a que mais reduziu o consumo fora de casa, principalmente nos alcoólicos. Em vez de gastar com lanches ou bebidas avulsas, jovens têm dado preferência para refeições completas e práticas. Além disso, aumentou o consumo de bebidas não alcoólicas, como água e café.

O jeito de fazer compras também vem mudando. Agora, os consumidores estão indo a mais lugares – em média, usam oito tipos de lojas diferentes no mês (uma a mais que o ano passado). O pequeno comércio, como mercadinhos de bairro, cresceu entre as classes C e D/E.

 

 

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