Apesar de investigações em curso e de alertas da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), o governo Lula avança na contratação da empresa Esplanada Serviços Terceirizados LTDA por meio de um contrato que pode chegar a R$ 328 milhões. A empresa venceu um pregão eletrônico conduzido pelo Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) e prestará serviços terceirizados para 12 ministérios.

A Esplanada é uma das investigadas na Operação Dissímulo, deflagrada pela Polícia Federal em fevereiro, para apurar esquemas de simulação de concorrência em contratos públicos. A operação envolveu mandados de busca e apreensão, atingindo empresas suspeitas de fraudes em licitações.

Mesmo com os indícios, o MGI aceitou a proposta da Esplanada no dia 21 de fevereiro. Poucos dias depois, rejeitou os recursos das concorrentes e manteve a empresa no processo. O contrato inclui a contratação de 1.200 terceirizados e poderá ter validade de até 10 anos.

Governo alega não haver impedimento formal

Em nota oficial, o Ministério da Gestão afirmou que “não encontrou impedimento para a contratação” da Esplanada, pois “a documentação da empresa atendeu às exigências do edital”. O ministério justificou ainda que “só pode impedir a contratação se houver punições formais aplicadas por órgãos de controle.

O dono da Esplanada, André Luis Silva de Oliveira, negou qualquer ligação com os demais investigados na operação. No entanto, surgiram indícios de proximidade com o ex-deputado Carlos Tabanez, apontado como operador do esquema, por meio da distribuição de panetones com o busto do ex-parlamentar — prática já atribuída a outra empresa investigada, a R7 Facilities.

Questionado sobre a ação, André declarou:
“Eu ganhei os panetones”.
“Era na época de campanha política dele [Tabanez]. Ele queria fazer política, divulgar [o nome dele]. E ele doou panetones para várias empresas, e eu distribuí para aqueles funcionários que queriam o panetone.”
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