O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou, nesta quinta-feira (21), cortar o financiamento de escolas no estado da Califórnia que não seguirem suas políticas para pessoas trans, que desde seu retorno à Casa Branca tem deixado claro sua contrariedade com pautas que envolvem a ideologia de gênero. – Qualquer distrito escolar da Califórnia que não cumprir com nossas políticas sobre pessoas transgênero não receberá financiamento – escreveu em uma mensagem curta em sua rede social Truth Social.

A maior parte do financiamento das escolas públicas provém de fundos estaduais e locais. De acordo com o ED100, um blog especializado da Califórnia, o financiamento federal geralmente representa entre 8% e 10% do orçamento educacional do estado.

Uma dessas subvenções já foi cancelada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS).

Segundo explicou nesta quinta-feira à Fox News um representante da Administração para Crianças e Famílias, vinculada ao HHS, o subsídio para o programa de educação sexual da Califórnia foi cortado, porque o estado se recusou a eliminar a “ideologia de gênero radical” de seu plano de estudos.

– A recusa da Califórnia em cumprir a lei federal e remover a ideologia de gênero atroz dos materiais de educação sexual financiados com fundos federais é inaceitável – disse Andrew Gradison, secretário interino desse escritório.

O Programa de Educação sobre Responsabilidade Pessoal (PREP) da Califórnia, que teve o financiamento suspenso, alega que seu objetivo era apenas prevenir gravidez na adolescência e a propagação de doenças sexualmente transmissíveis.

– O governo Trump não permitirá que o dinheiro dos contribuintes seja usado para doutrinar crianças – acrescentou Gradison.

Além disso, a Califórnia ainda não alterou a legislação que permite a atletas trans competirem em esportes femininos escolares, depois que Trump assinou uma ordem para proibi-lo e a Suprema Corte o apoiou.

No entanto, o governador da Califórnia, o democrata Gavin Newsom, declarou que considera “injusto” que mulheres trans compitam em esportes femininos, uma posição mais próxima à do governo Trump.

Desde seu retorno à Casa Branca, o republicano promoveu iniciativas contra a comunidade LGBTQI+ em ao menos quatro ocasiões: eliminou o reconhecimento legal de pessoas não binárias ao estabelecer que nos EUA só existem “dois sexos”, retirou passaportes com gênero “X”, proibiu mulheres trans de competir em esportes femininos e excluiu pessoas trans das Forças Armadas.

Além disso, o governo enviou intimações a cerca de 20 especialistas e centros médicos que participaram de procedimentos de redesignação de gênero em menores.

E, segundo publicou nesta quarta (20) o jornal The New York Times, também estariam buscando informações confidenciais de pacientes que receberam algum tipo de terapia, como bloqueadores da puberdade, hormônios e/ou cirurgia.

 

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