Dezoito anos após virar promessa de campanha do PT, o trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro acumula um novo adiamento — e nenhum trilho construído. Em relação ao projeto, o PT chega ao fim do terceiro mandato de Lula com uma guinada: a gestão federal agora diz que a obra “não é do governo” e não prevê participação direta no financiamento do projeto. O custo de momento é de R$ 60 bilhões.

A mudança de postura contrasta com décadas de promessas de investimento público na ferrovia de alta velocidade, e soma um novo “atraso” para algo que nunca começou: o início das obras, que chegou a ser anunciado para 2027, foi transferido para 2028. Enquanto isso, o projeto segue sem licença ambiental, sem subsídios definidos e com especialistas alertando que sua viabilidade econômica é “muito difícil de justificar”.

A TAV Brasil, empresa que recebeu autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para construir e operar o eixo ferroviário de alta velocidade por até 99 anos, estima que a operação com passageiros comece em 2032. A promessa para um dos projetos que entrou para o rol de “lendas urbanas” no país prevê uma ferrovia de 417 quilômetros, em trajeto a ser percorrido em menos de duas horas e velocidade máxima de 320 km/h.

O histórico de discursos renovados alimentou desconfianças ao longo do tempo. Desde o fim dos anos 1980, a ideia do trem-bala para ligar São Paulo ao Rio de Janeiro enfrentou entraves técnicos, jurídicos e comerciais. O projeto passou por diferentes governos, formatos e estruturas institucionais, sem sair do papel.

Agora, governo Lula diz manter apenas apoio à obra do trem-bala São Paulo-Rio de Janeiro

Entre idas e vindas, até o PT desistiu de financiar a obra. Segundo o Ministério dos Transportes, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém apoio à expansão ferroviária, porém, não prevê participação direta no financiamento do trem-bala.

A posição oficial de agora é diferente do que foi anunciado em 2023, quando o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), afirmou que o governo cooperaria com parte do valor necessário, completando o que faltasse para tornar o projeto possível. De acordo com a TAV Brasil, a execução será totalmente privada. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atuará como agente financeiro, sem aporte direto de recursos da União — até novo anúncio.

O investimento atualizado para o trem-bala que ligaria os estados é de cerca de R$ 60 bilhões. A TAV Brasil projeta passagens entre R$ 300 e R$ 500. De carro, a viagem leva cerca de seis horas, em média.

O plano apresentado à ANTT prevê quatro estações ao longo do trajeto. Elas ficam nas respectivas capitais, São Paulo e Rio de Janeiro, além de São José dos Campos (SP) e Volta Redonda (RJ). Um traçado anterior previa estações em Guarulhos, Jacareí, Taubaté, Aparecida e Resende.

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