A aeronave usada para levar o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), à final da Libertadores de 2025, em Lima, no Peru, aparece em registros de voos ligados à região do Tayayá Resort, em Ribeirão Claro (PR), que já teve como sócios parentes do magistrado. O empreendimento está no centro de questionamentos envolvendo a atuação do magistrado no caso do Banco Master.

Dados divulgados pelo jornal O Globo mostram que o jatinho, registrado em nome de uma empresa do ex-senador e empresário Luiz Osvaldo Pastore, realizou voos entre Ourinhos (SP) — aeroporto mais próximo do resort — e Brasília em pelo menos duas ocasiões no ano passado.

As datas das viagens coincidem com pagamentos de diárias feitas pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) para seguranças que acompanhavam um ministro do STF em Ribeirão Claro. Em nota, o Supremo afirmou que o trabalho da segurança tem como objetivo garantir a autonomia e a integridade dos ministros. Pastore foi procurado, mas não se manifestou.

O resort Tayayá, um empreendimento de luxo às margens de uma represa, voltou ao centro das atenções após a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Toffoli é o relator do processo no STF que envolve diretamente Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira.

Reportagens apontam que o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, participou de um fundo de investimentos que adquiriu, em 2021, parte da participação de dois irmãos de Toffoli no resort. À época, a fatia foi avaliada em R$ 6,6 milhões, e um dos irmãos do ministro administrava o empreendimento.

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