Segundo Moraes, há suspeita de que o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinado por Mendonça, tenha visado impedir a investigação sobre a origem externa do relatório.
O ministro aponta supostas irregularidades na cadeia de custódia dos dados. O procedimento é responsável por registrar e preservar a trajetória de um vestígio ou evidência, desde a coleta até a análise, para evitar alterações, contaminações ou manipulações.
De acordo com ele, os metadados do arquivo indicariam que a abertura e a finalização do relatório ocorreram no mesmo dia nos computadores da PF. Para Moraes, esse seria um indício de que o documento teria sido produzido previamente fora da corporação e posteriormente inserido nos sistemas da Polícia Federal.
“Os metadados do relatório demostram que a abertura e finalização do relatório foi feita no mesmo dia, ou seja, foi ‘plantado’ nos computadores da PF e não inteiramente produzido por eles. Como se fosse possível produzi-lo em um único dia. Isso demonstra, novamente, o direcionamento ilícito das investigações”, argumentou.
Moraes afirma, ainda, que o relatório contém “inúmeras ilações, mentiras, dados falsos e conclusões absurdas”, além de ter sido elaborado a partir de fragmentos de mensagens selecionados de forma subjetiva. Segundo ele, o material não apontaria qualquer indício de prática de crime por parte do ministro.
“Mesmo com todas as ilegalidades produzidas pelo Ministro André Mendonça, o fato mais importante, entretanto, é que o relatório produzido não encontrou nenhuma prática de infração penal por parte do Ministro Alexandre de Moraes”, sustentou.