A possível investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Supremo Tribunal Federal (STF), por causa do áudio em que ele pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse“, envolve a tentativa de direcionar o caso para outro ministro que não seja André Mendonça, relator do caso Master na Corte.
Um pedido para Alexandre de Moraes assumir o caso foi feito diretamente ao ministro pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). A retirada de Mendonça da relatoria de uma investigação específica sobre o senador também é cogitada pela Polícia Federal.
Em princípio, caberia a Mendonça o papel de relator natural do caso por já conduzir no STF, desde fevereiro, a partir de sorteio, a investigação sobre as fraudes do Banco Master e a corrupção de agentes públicos por Vorcaro. Ele assumiu a relatoria depois que o ministro Dias Toffoli decidiu se afastar da função a partir da revelação de que uma empresa familiar vendeu parte de um resort para um fundo operado pelo Master.
Desde então, a investigação foi ampliada, especialmente a partir da análise dos celulares de Vorcaro apreendidos pela PF. A revelação, no fim de maio, da relação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro – segundo o senador, para financiar o filme “Dark Horse”, em homenagem a Jair Bolsonaro –, despertou em opositores do senador – que é pré-candidato à Presidência – a pressão para investigá-lo e manchar sua imagem.
Para emplacar Moraes na relatoria de uma possível investigação – que ainda não foi aberta –, Lindbergh pediu para o ministro incluir Flávio num inquérito aberto no ano passado contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que é relatado pelo ministro.
Nesse caso, Eduardo foi denunciado por coação à Justiça por pressionar o governo dos Estados Unidos a sancionar Moraes na Lei Magnitsky. Lindbergh diz que Flávio deve ser investigado nesse inquérito devido à suspeita de que ele teria contribuído para bancar Eduardo com recursos de Vorcaro oficialmente destinados ao filme.
“A linha investigativa se refere a apurar se os valores supostamente destinados ao filme Dark Horse, suposta cinebiografia política de Jair Bolsonaro, serviram, total ou parcialmente, como lastro financeiro, mecanismo de cobertura, instrumento de ocultação ou via indireta de financiamento da campanha internacional conduzida por Eduardo Bolsonaro no exterior contra o Estado brasileiro, suas autoridades constituídas, seu Poder Judiciário, sua soberania jurisdicional e seus setores produtivos”, diz o pedido de Lindbergh.
Atenta a esse risco, a defesa de Flávio já pediu ao STF suspeição de Moraes para analisar o requerimento do deputado petista. Alegam que o ministro não teria imparcialidade por causa do contrato do escritório de advocacia de sua família com o Banco Master.
“Existe uma relação contratual estabelecida entre o Banco Master e o escritório da esposa do Exmo. Min. Alexandre de Moraes, fato que concretiza proximidade entre Sua Excelência, o Banco Master e Daniel Vorcaro. Essa proximidade pode retirar do magistrado a equidistância que deve manter em relação às partes”, dizem os advogados de Flávio.








