Por meio de nota publicada nesta quinta-feira (12), o SBT se manifestou sobre a polêmica envolvendo a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e o apresentador da emissora, Carlos Massa, mais conhecido como Ratinho. No pronunciamento, a empresa afirmou que as declarações do comunicador – consideradas transfóbicas pela parlamentar transexual – “não representam a opinião da emissora”.
– O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores – declarou o SBT.
Ratinho afirmou, nesta quarta (11), não considerar justa a escolha de Erika Hilton como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. Para ele, o cargo deveria ser entregue a uma mulher cis – ou seja, que nasceu biologicamente mulher.
– Não achei muito justo, não. Com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans, a Erika Hilton? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans. Mas se tem outras mulheres. Mulher, para ser mulher, tem que ter útero, tem que menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Quero dizer que não tenho nada contra a deputada Erika Hilton, ela fala bem, ela é boa de prosa. (…) Mas será que ela entende dos problemas e desafios de uma pessoa que nasceu mulher? Não é fácil ser mulher – avaliou.
Hilton, por sua vez, solicitou ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) a abertura de um inquérito policial contra o apresentador. Para a congressista, as falas de Ratinho negam sua “condição feminina” e sustentam que “mulheres trans não poderiam ser consideradas mulheres”. Erika também pontuou que o fato de a manifestação do apresentador ter sido proferida em rede nacional potencializa seus “efeitos discriminatórios”.
– As declarações proferidas pelo apresentador não se limitaram a uma crítica política ou a um debate institucional acerca da atuação da parlamentar, mas consistiram na negação explícita de sua identidade de gênero e na afirmação reiterada de que ela não seria uma mulher. Esse elemento constitui o núcleo da conduta aqui narrada e evidencia o caráter discriminatório do discurso proferido – diz a representação, obtida pelo colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles.
O documento foi protocolado no Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MP-SP. Se investigado e condenado, Ratinho poderá pegar até 6 anos de prisão.






