Os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) vão trabalhar nos próximos meses com o mesmo objetivo: derrotar Davi Alcolumbre (União-AP) na eleição para presidente do Senado. O plano desenhado prevê um período de campanhas paralelas em que cada parlamentar atuará em nichos distintos de influência, atraindo votos que dificilmente migrariam de forma imediata para o outro.

Ao longo das próximas semanas, os dois aliados pretendem medir o alcance de suas investidas e testar a temperatura das bancadas partidárias, principalmente entre as senadoras e os partidos de centro. Mais adiante, Marinho e Tereza Cristina ditarão o momento em que um abrirá mão da candidatura em favor do outro, consolidando um bloco de oposição coeso e competitivo.

Trata-se da estratégia de “pinça eleitoral”, quando dois ou mais aliados atuam por frentes aparentemente diferentes para encurralar um adversário comum e, no momento decisivo, decidem convergir e se unir.

A oficialização do senador Rogério Marinho, na quarta-feira (4), como candidato do Partido Liberal à presidência do Senado deu a largada formal para a disputa da Mesa Diretora marcada para fevereiro de 2027. A senadora Tereza Cristina também confirmou à Gazeta do Povo que vai concorrer ao comando da Casa.

“A senadora Tereza é nossa parceira, está do mesmo lado, comungamos das mesmas bandeiras, dos mesmos propósitos e juntos faremos o possível para derrotarmos o atual presidente, o senador Davi Alcolumbre”, declarou Marinho ao lançar a sua candidatura à presidência do Senado.

O especialista em Teoria Geral do Estado e professor da USP Rubens Beçak avalia que tanto a candidatura de Rogério Marinho quanto a de Tereza Cristina são fortes e com representatividade no Senado.

“A candidatura do senador Rogério Marinho é natural porque ele é o líder do PL, a maior bancada em 2027. A candidatura da senadora Tereza Cristina já vinha sendo anunciada e ela se apresenta com a perspectiva de ser a primeira presidente mulher do Senado. Então, me parece que são duas pretensões escudadas em maiorias, com possibilidade de costuras políticas que as tornem não só legítimas, mas viáveis”, disse.

A tática de Rogério Marinho é fincada no núcleo da oposição conservadora. O senador potiguar dialoga diretamente com as bandeiras mais enfáticas da bancada do PL e de setores independentes.

A sua plataforma centraliza o compromisso com o avanço do projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, o freio ao ativismo judicial por meio de limites às decisões monocráticas e a reestruturação de competências do Supremo Tribunal Federal (STF).

Marinho é a favor do impeachment de ministros da Suprema Corte como resposta às tensões institucionais. No entanto, ele reforçou que sua candidatura não representará ataque contra os ministros do STF, mas a defesa da Constituição.

“Evidente que não seremos candidatos com o tema de impeachment de quem quer que seja, somos candidatos defendendo a Constituição. Se algum ministro do STF cometer crime de responsabilidade, não seremos omissos, mas não vamos antecipar ou fazer juízo de valor”, disse durante o anúncio de sua candidatura.

Rogério Marinho mantém postura de enfrentamento firme contra a agenda econômica e política do Palácio do Planalto. Para ele, a presidência do Senado precisa atuar como um poder moderador e assertivo, pautando matérias de interesse da oposição que historicamente foram travadas na gaveta da presidência.

Por sua vez, Tereza Cristina opera em uma frequência distinta, voltada para a diplomacia legislativa. Ela lidera a bancada do agronegócio e é reconhecida por ter capacidade de dialogar com os partidos do Centrão, incluindo alas do Republicanos, PSD e MDB.

Tereza aposta ainda na atração do voto feminino, articulando junto à Bancada Feminina o apelo histórico de eleger a primeira mulher a presidir o Senado em mais de duzentos anos de história do Parlamento.

No tocante ao Judiciário e ao Executivo, a abordagem de Tereza é mais cautelosa do que a de Marinho. Ela evita a retórica de confronto direto e não coloca o impeachment de ministros do STF como eixo prioritário de sua campanha, priorizando antes reformas no processo legal e a recuperação da harmonia entre os poderes.

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