A renda disponível dos brasileiros caiu para um dos menores níveis da série histórica em 2026, segundo levantamento da consultoria Tendências. Em maio, após gastos essenciais e pagamentos de dívidas, restavam 21,7% da renda para consumo. O menor resultado da pesquisa, iniciada em 2011, foi registrado em janeiro e fevereiro, com 21%.

Sem considerar o pagamento de empréstimos e financiamentos, a parcela disponível seria maior. Em maio, depois de despesas com alimentação, transporte, aluguel e medicamentos, sobravam 41,64% da renda. Isso significa que, a cada R$ 100 recebidos, R$ 41,64 poderiam ser usados para outros gastos.

A inflação e os juros elevados ajudam a explicar a pressão sobre o orçamento. As projeções para o IPCA passaram de 4,31% em janeiro para 5,03% na pesquisa Focus mais recente. O cenário também é afetado pelo choque do petróleo, que eleva custos de fretes, combustíveis e produtos industriais.

A alimentação tem peso relevante nesse cenário. Pesquisa da Dunnhumby com 10 mil pessoas aponta gasto médio de R$ 1.073,98 por mês com supermercados, valor que representa quase metade da renda da maior parte das famílias consultadas. Em julho, o IPCA-15 acumulava 3,51% no ano, enquanto alimentos e bebidas registravam alta de 4,37%.

O impacto desse gasto depende da renda de cada família. Para quem recebe R$ 10 mil por mês, por exemplo, um gasto de cerca de R$ 1 mil com supermercado tem peso diferente daquele enfrentado por uma pessoa que recebe R$ 3 mil. Sem considerar as famílias de maior renda, a renda per capita do brasileiro fica em torno de R$ 2,4 mil.

O endividamento também reduz o espaço para outros gastos. A Selic está em 14% ao ano, após corte de 0,25 ponto percentual feito pelo Copom. Há expectativa de nova redução em setembro, para 13,75%, mas o nível ainda é considerado elevado e aumenta o custo do crédito.

Na capital paulista, 74,1% dos lares estão endividados, segundo os dados citados no levantamento. Com menos dinheiro disponível, a Intenção de Consumo das Famílias da FecomercioSP caiu em julho pela quarta vez seguida. O movimento indica menor disposição das famílias para consumir.

Os dados de inadimplência reforçam a pressão sobre o orçamento. Em junho, 83,7 milhões de pessoas estavam com dívidas atrasadas, segundo a Serasa, no maior número da série. As pendências somavam R$ 579 bilhões, concentradas principalmente em bancos e cartões de crédito, com 27,3%.

Entre as faixas de renda, as famílias que ganham até R$ 2,1 mil foram as únicas a apresentar melhora no indicador de situação financeira. Segundo o FGV Ibre, o índice desse grupo avançou 13,1 pontos desde dezembro, chegando a 91,5 pontos. Nas demais faixas, o indicador permaneceu entre 60 e 70 pontos. As informações são do Estadão.

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