O Ministério da Educação (MEC) foi o responsável por requisitar a aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) utilizada pelo ministro das Relações Institucionais, deputado José Guimarães (PT), para se deslocar ao município de Barbalha, onde participou de uma festa tradicional ao lado de importantes lideranças políticas do Estado.

A viagem gerou questionamentos por envolver o uso de uma aeronave oficial, liberada por uma pasta voltada à educação, para uma agenda que incluiu participação em um evento festivo e sem relação direta com as atribuições do ministério. É válido ressaltar que a estrutura foi usada apenas para uma visita técnica do MEC às obras do Centro de Educação Infantil Mata dos Limas, em Barbalha.

A pasta agora é chefiada por Leonardo Barchini, que foi indicado por Camilo Santana após a sua desincompatibilização. Durante a passagem pela cidade, Guimarães esteve acompanhado do governador Elmano de Freitas (PT) e do senador Camilo Santana (PT).

A participação conjunta das lideranças ocorreu em meio às movimentações políticas que antecedem as eleições de 2026. O episódio repercutiu e foi alvo de críticas por envolver o uso de um jato da FAB para o deslocamento de Guimarães até Juazeiro do Norte, de onde o ministro seguiu para Barbalha. Conforme apurou O Otimista, a aeronave permaneceu no aeroporto da cidade até a noite de domingo (31), à disposição das autoridades.

Transparência

O MEC foi questionado sobre o assunto, por meio do contato da assessoria de comunicação, e informou que a demanda foi encaminhada para a Secretaria das Relações Institucionais. Nenhuma das pastas respondeu as perguntas até o fechamento desta matéria. O uso da aeronave foi questionado pelo pré-candidato ao Senado, Candido Albuquerque, que divulgou imagens do conteúdo nas redes sociais.

“Tem que explicar mesmo. Explicar o que a aeronave estava fazendo domingo lá, por que o avião, ao término das atividades, não foi embora”, disse. “Porque tem diárias que são pagas, a tripulação, paga a permanência do avião, que o aeroporto lá é privatizado. Então, quer dizer, o cuidado com a estrutura, o uso da estrutura pública em benefício do povo tem que ser fiscalizado. Nós não podemos aceitar qualquer explicação ou pretexto que justifique o deslocamento de um avião para fora de Brasília”, acrescentou.

Candido falou que vai demandar o Ministério Público Federal (MPF) acerca do assunto. Para o pré-candidato ao Senado, há “aspectos de clandestinidade” no fato de o ministro ter voltado em um avião de carreira, depois de ter usado o jato para ir a Barbalha. “Se o avião ia para Brasília, por que não voltou nele?”, questionou.

Resposta

Por meio da assessoria de comunicação, o titular da Secretaria das Relações Institucionais divulgou nota sobre o assunto. Confira o comunicado na íntegra: “O ministro José Guimarães repudia veementemente a falsa notícia de que teria utilizado uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para participar da Festa de Santo Antônio, em Barbalha (CE).

O voo foi requisitado pelo Ministério da Educação, e o ministro embarcou por meio de uma carona em comitiva que viajou de Brasília a Juazeiro do Norte para cumprir agenda na Região do Cariri. Ao término das atividades, retornou a Brasília em voo comercial.

As medidas judiciais cabíveis serão adotadas para que a divulgação dessa informação falsa seja devidamente reparada e para que os responsáveis respondam por seus atos perante a Justiça”

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