A fundação George Soros gastou mais de 5 milhões em dois projetos que chamaram a atenção, foram US$ 800 mil dólares (o equivalente a R$ 4,3 milhões, pela cotação média da época), destinados a fornecer “apoio geral” à escola de Samba Mangueira. Ele também financiou um documentário chamado de Apocalipse nos Trópicos, que demoniza evangélicos, a fundação destinou US$ 150 mil para apoiar a etapa final de produção e a distribuição da obra. O valor equivale a R$ 808,5 mil, pelo câmbio médio do período.

A história do patrocínio da escola de samba ainda traz uma informação de bastidor igualmente curiosa. Segundo jornais cariocas, a doação foi intermediada pelo petista Marcelo Freixo, presidente da Embratur e agora cotado para assumir o cargo de ministro do Turismo no lugar de Celso Sabino — que está de saída do governo.

O que se sabe é que a doação foi destinada ao desfile da Mangueira de 2025, cujo tema se alinhava à agenda identitária defendida pela fundação de Soros. Intitulado “À Flor da Terra: No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões”, o enredo era centrado “em memória negra e resistência dos povos Bantu”.

A letra do samba, por sua vez, foi descrita pelo carnavalesco Sidnei França como “um manifesto sociopolítico contundente”. Ainda segundo ele, o trecho mais forte (“O alvo que a bala insiste em achar / Lamento informar… um sobrevivente”) sugere que a sobrevivência diária da população negra é um “fracasso para o sistema”.

Os versos também condenam a apropriação cultural da cultura negra por parte da elite — que “imita meu cabelo” e “acha que está na moda dizer que é macumbeiro”.

Documentário contra evangélicos

Apocalipse nos Trópicos investiga a ascensão política do movimento evangélico no Brasil, usando-o como contexto para que Jair Bolsonaro fosse eleito presidente. A diretora apresenta o pastor Silas Malafaia como uma das figuras centrais em orquestrar os grupos religiosos em torno do objetivo político bem-sucedido que fez o capitão chegar ao poder.

Mas não só isso. Malafaia e o aumento de evangélicos, segundo o roteiro, estariam diretamente relacionados às manifestações que culminaram no fatídico 8 de janeiro de 2023.

O longa mostra cultos, discursos inflamados de pastores e imagens de manifestações políticas com bandeiras religiosas. Também sugere que a fé foi usada como arma para manipular a população, em especial durante a pandemia e nas eleições de 2022.

Do início ao fim, a malícia da obra reside na tentativa de mostrar os fiéis como ameaças à democracia. Ao forçar a ideia de que os evangélicos se transformaram em uma base radical de apoio para a ascensão da direita, a narrativa busca associar religião com manipulação política. Assim, o filme acaba reduzindo os evangélicos a uma caricatura estereotipada.

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