O governo dos Estados Unidos avalia impor restrições de visto às delegações do Brasil, Irã, Sudão e Zimbábue durante a Assembleia Geral da ONU, que começa em 22 de setembro em Nova York. A informação foi revelada pela agência Associated Press (AP) nesta quinta-feira (4), com base em um memorando interno do Departamento de Estado. Segundo a reportagem, as medidas em estudo poderiam limitar os deslocamentos das delegações citadas fora da zona da assembleia, reforçando o controle sobre diplomatas e líderes desses países que participam do encontro.
A possibilidade inclui o Brasil, cuja delegação tradicionalmente abre os discursos no primeiro dia do evento. A AP observou que “não estava claro se quaisquer restrições de visto potenciais afetariam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou membros de nível inferior da delegação do país”.
A reportagem acrescenta que Lula tem sido alvo de críticas diretas do presidente americano Donald Trump, que se opõe ao processo judicial em curso no Brasil contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, sob acusação de suposta tentativa de golpe. A eventual inclusão do Brasil nas medidas reforça o atrito político que existe atualmente entre os dois países.
No caso do Irã, as restrições já em vigor poderiam ser ampliadas. O documento menciona até mesmo a proibição de diplomatas iranianos frequentarem lojas atacadistas como Costco e Sam’s Club sem autorização expressa do Departamento de Estado. Esses estabelecimentos, segundo a AP, eram usados por diplomatas iranianos para adquirir produtos em grande quantidade e enviá-los a Teerã, driblando a escassez em seu país.
Enquanto Brasil, Irã, Sudão e Zimbábue aparecem como possíveis alvos, a Síria foi contemplada com um benefício incomum. O memorando revelou que a delegação síria recebeu na semana passada uma dispensa das limitações de deslocamento que vigoravam havia mais de uma década. A medida faz parte da estratégia do governo Trump de fortalecer relações após a queda do ditador Bashar al-Assad no ano passado.
Além dos países citados, o governo dos Estados Unidos já negou oficialmente vistos ao líder palestino Mahmoud Abbas e a toda a sua delegação para participar da Assembleia Geral da ONU
A AP procurou o Departamento de Estado dos EUA e as missões do Irã e do Brasil na ONU para comentar o tema, mas não obteve resposta.









