A base governista do presidente Lula atuou para barrar, na CPMI do INSS, convocações e pedidos de quebra de sigilos telemático, fiscal e bancário de alvos da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira (18) pela Polícia Federal. Entre os requerimentos rejeitados estava a convocação do ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência Adroaldo da Cunha Portal, exonerado pelo governo no mesmo dia da operação. A proposta foi derrotada em 4 de dezembro por 16 votos a 14, com apoio de partidos de esquerda e de legendas do Centrão alinhadas ao Palácio do Planalto.

Na mesma sessão, a CPMI rejeitou pedido de quebra de sigilos da empresária Roberta Luchsinger, citada nas investigações como integrante do núcleo político do esquema e ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O placar repetiu o resultado: 16 votos a 14.

Também foi rejeitada, por 19 votos a 12, a convocação e a quebra de sigilos de Danielle Fonteneles, alvo da operação e submetida a monitoramento eletrônico. Segundo a PF, ela teria recebido mais de R$ 13 milhões provenientes do esquema investigado.

A articulação governista foi liderada pelo deputado Paulo Pimenta, que defendeu a rejeição dos requerimentos sob o argumento de que estariam fora do escopo da CPMI. “Esses requerimentos estão fora do escopo da investigação da CPMI”, afirmou, segundo notas taquigráficas.

Em setembro, a oposição já havia tentado convocar Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha, apontado pela PF como elo operacional do esquema. Os pedidos também foram rejeitados.

A Operação Sem Desconto investiga descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS e apura a atuação de um grupo com ramificações políticas e empresariais.

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