O número de invasões de terras nos primeiros quatro meses de 2025 ultrapassou o total de todo o ano de 2024. De acordo com um levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), foram 53 casos até o final de abril, contra 46 em todo o ano passado. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou 46 dessas ações. Outras invasões são atribuídas a indígenas. Os estados de Pernambuco, com 20 invasões, e Bahia, com 8, lideram as ocorrências.

A Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb) pede uma intervenção urgente para conter as invasões de terras. “Num país onde se prega a igualdade e a inclusão, os produtores rurais vivem o oposto. Produtores que ligam para a polícia, quando têm suas propriedades invadidas, ouvem que não se pode fazer nada. Queremos que, conforme está na Constituição, todos os brasileiros tenham os mesmos direitos”, defende o presidente da Faeb, Humberto Miranda.

Produtores rurais relatam violência em invasões no sul da Bahia

No extremo sul da Bahia, o relato de dois pequenos produtores rurais impressiona pela violência que sofreram com suas famílias no momento das invasões de suas terras. Os casos foram apresentados em uma audiência pública, no Congresso Nacional, no fim de maio.

O agricultor Emerson Souza dos Santos conta que a família dele possui a propriedade desde abril de 1923, adquirida pelo bisavô. Na primeira ação, pelo menos 35 pessoas cercaram a casa onde mora com a esposa, pai e uma tia.

“Eles começaram a gritar: se não saírem por bem, vão sair por mal. Eles soltaram nosso gado de leite do curral. Mataram algumas vacas. Minha esposa ligou pra associação dos moradores e cinco viaturas chegaram, mas a polícia disse que não poderia fazer nada. Na quinta-feira seguinte eles metralharam nossa casa. Diziam que nós íamos morrer naquele dia. Então, quando invadiram a casa, espancaram meu pai e a mim. Nós não temos para onde ir”, relata o agricultor.

O produtor rural José Raimundo Magalhães conta que indígenas chegaram na casa dele dizendo que a propriedade era área de demarcação. Eles tomaram posse da área com uso de violência, segundo o relato.

“Estávamos saindo para a Igreja naquele momento. Atiraram em nosso carro. Um deles deu uma coronhada em mim, disse que se eu não saísse devagar, mataria todos da nossa família. Atualmente, estou sem renda. Tinha produção de café, de pimenta do reino e de cacau. Eles estão lá, destruindo tudo”, afirma.

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